Impostor que se ofereceu para libertar Pistorius pega 12 anos de prisão

Johanesburgo, 1 nov (EFE).- A Justiça da África do Sul condenou a 12 anos de prisão o homem que se fez passar por um integrante do alto escalão do Ministério Público e que propôs ao atleta Oscar Pistorius, condenado pelo assassinato de sua namorada, livrá-lo da prisão em troca de dinheiro, informou nesta terça-feira a imprensa local.

Com esta condenação pelos crimes de falsidade ideológica e fraude, Tshifhiwa Radzhadzhi passará o dobro de anos na prisão que Pistorius, que foi condenado a seis anos pelo assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp.

Radzhadzhi, de 30 anos, foi detido em março depois que a polícia depositou em sua conta bancária, através de uma operação sigilosa, os mais de 2.300 euros que ele exigia por antecipação para evitar que o ex-corredor voltasse à prisão.

O impostor esperava receber no total cerca de 14.500 euros de Pistorius, que naquele momento aguardava em prisão domiciliar para conhecer sua pena pelo crime de assassinato do qual foi considerado culpado, detalhou o jornal sul-africano "The Star".

Pistorius foi condenado em julho a seis anos de prisão, e atualmente cumpre pena na seção hospitalar da prisão de Kgosi Mampuru II, em Pretória.

O ex-atleta matou sua namorada com quatro disparos através da porta fechada do banheiro de sua casa na capital sul-africana, e foi considerado culpado em primeira instância pelo crime de homicídio culposo, que lhe rendeu uma pena de cinco anos, dos quais cumpriu um antes de sair da prisão por bom comportamento.

O Tribunal Superior de Pretória aceitou então a versão de Pistorius, que garantia ter atirado contra sua namorada por erro e motivado pelo pânico, ao tê-la confundido com um intruso que acreditava que teria entrado em sua casa pela janela do banheiro.

Mas a acusação levou o veredicto ao Tribunal Supremo de Apelação, que revogou a condenação por homicídio culposo e declarou Pistorius culpado de assassinato após concluir que ele disparou com a intenção de matar a pessoa que estava atrás da porta, mesmo que acraditasse que a mesma era um ladrão.

No entanto, a acusação considera insuficiente a condenação de seis anos que pesa contra Pistorius e voltará a recorrer diante do Tribunal Supremo de Apelação.

Oscar Pistorius chegou ao ápice de sua carreira nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012, quando se transformou no primeiro atleta biamputado da história a competir nos Jogos Olímpicos com atletas sem deficiência.

Pistorius, de 29 anos, nasceu com um problema genético que levou seus pais a amputarem as duas extremidades abaixo de seus joelhos quando ele tinha apenas 11 meses, e corria utilizando duas próteses de carbono.

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