Mais de um ano depois, vizinhos de Nisman vão prestar depoimento

Buenos Aires, 1 nov (EFE).- Vizinhos do promotor argentino Alberto Nisman, encontrado morto em janeiro de 2015 quatro dias depois de denunciar a então presidente Cristina Kirchner por suposto encobrimento de terroristas, começarão a dar depoimento para os investigadores que analisam o caso.

Fontes da Justiça disseram à Agência Efe nesta terça-feira o promotor federal Eduardo Taiano decidiu citar pela primeira vez 409 proprietários ou locatários do condomínio Le Parc, no bairro nobre de Puerto Madero, em Buenos Aires, onde Nisman morava e apareceu morto com um tiro na cabeça. As audiências estão marcadas para acontecer entre 21 de novembro e 16 de dezembro. Em alguns casos serão feitas mais de 20 audiências por dia.

Nisman, promotor encarregado da investigação do atentado contra a Associação Judia Amia, que deixou 85 pessoas mortas e continua impune, estava convencido que um acordo assinado entre a Argentina e o Irã em 2013 e que o governo garantia que serviria para avançar no esclarecimento do ataque, era na realidade o contrário.

O procurador, que apareceu morto pouco antes de ter de comparecer ao Congresso para detalhar a denúncia contra Cristina Kirchner e outros altos integrantes do governo, achava que o memorando pretendia encobrir os suspeitos do atentado, entre eles o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani, em troca de promover a troca comercial com o Irã. Até agora, esta hipótese não foi avalizada nem comprovada pela Justiça, como também não ficou determinado se a morte de Nisman foi suicídio - induzido ou não - ou homicídio.

Segundo explicou à Efe Manuel Romero Victorica, um dos advogados da família de Nisman, os funcionários da Unidade Fiscal Amia, que estava a cargo de Nisman, terminaram de depor na semana passada, "mas não apresentaram nada de interessante para a investigação" além do que "poucos tinham conhecimento de que Nisman estavam trabalhando na denúncia" contra a ex-presidente argentina.

Para o advogado, o depoimento dos moradores do Le Parc tinha que ter sido colhido na semana seguinte ao crime.

Atualmente, o caso já tem 14 mil folhas, além de todos os relatórios médicos, vídeos e documentos anexos. Além disso, está em processo o estudo do cruzamento de ligações telefônicas realizadas no dia em que Nisman foi encontrado morto.

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