Primeiro-ministro turco rejeita "linhas vermelhas" do parlamento Europeu

Ancara, 1 nov (EFE).- As "linhas vermelhas" do parlamento Europeu em matéria de liberdade de imprensa não significam nada para a Turquia, declarou nesta terça-feira o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, em referência à batida policial contra o jornal "Cumhuriyet", que ontem terminou com 11 jornalistas detidos.

As palavras de Yildirim foram uma resposta ao presidente da Eurocâmara, Martin Schulz, que ontem declarou nas redes sociais que "com a detenção de Murat Sabuncu e outros jornalistas foi cruzada outra linha vermelha da liberdade de expressão na Turquia".

"Colegas, vossas linhas vermelhas bla bla (sic) nem as olhamos. Aqui, a nação que planta linhas vermelhas é nossa nação. O que vocês têm a ver com estas linhas? Traçaremos uma linha contra as de vocês. Deixem essa história", disse Yildirim em discurso no parlamento.

O líder insistiu que "há acusações contra diretores de um jornal, há uma denúncia e uma investigação desde o mês de agosto", por isso que foram ordenadas as detenções, informa o jornal "Hürriyet".

"Mas imediatamente arranca o coro: 'Confiscam a liberdade de imprensa'. Nós protegeremos a liberdade de imprensa até o final. No que há desacordo com nossos amigos europeus é nos passos que damos na luta contra o terrorismo", disse Yildirim.

A Promotoria acusa os diretores de "Cumhuriyet" de serem membros da guerrilha curda marxista, o PKK, e da confraria islamita de Fethullah Gülen, a quem é atribuído o fracassado golpe de Estado de julho, embora ambos movimentos estão não só enfrentados entre eles mas igualmente afastados da linha editorial do jornal, de orientação laica kemalista de centro-esquerda.

As associações de imprensa da Turquia protestaram contra as detenções, que qualificam de "caça de bruxas", e lamentaram que a busca por gülenistas se estenda a veículos de imprensa "que não têm laços alguns" com a confraria.

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