Suprema Corte paquistanesa investigará sociedades do primeiro-ministro

Islamabad, 1 nov (EFE).- A Suprema Corte do Paquistão decidiu nesta terça-feira investigar as sociedades em paraísos fiscais do primeiro-ministro, Nawaz Sharif, reveladas no Panama Papers, o que levou o opositor Tehreek-i-Insaf (PTI) a cancelar um grande protesto com o qual pretendia paralisar a capital amanhã.

"O Supremo decidiu resolver a questão dos Panama Papers", afirmou o presidente do principal órgão judicial do país, Anwar Zaheer Khamali.

Zaheer pediu ao governo e ao "PTI" que apresentem na próxima quinta-feira propostas com suas condições para formar uma comissão de investigação, que responderá perante o tribunal de cinco juízes que agora estuda cinco pedidos para destituir ao primeiro-ministro.

Os Panama Papers revelaram que três dos filhos de Sharif têm companhias em paraísos fiscais com as quais controlam propriedades em Londres e, desde sua publicação em abril, a oposição pediu a renúncia do líder.

A família Sharif reconheceu a posse das companhias, mas rejeitou qualquer tipo de ilegalidade.

Após o anúncio judicial, o líder de "PTI", Imran Khan, anunciou o cancelamento de um protesto grande previsto para amanhã contra Sharif com o qual esperava paralisar Islamabad.

"A Suprema Corte começou a investigar e nos pediu que cancelássemos o protesto", afirmou Khan em entrevista coletiva na capital paquistanês.

O célebre ex-jogador de críquete afirmou no entanto que será realizada uma manifestação festiva para celebrar a decisão da máxima instância judicial.

Khan bloqueou a capital durante quatro meses em 2014 com o argumento de que Sharif tinha cometido fraude no pleito que ganhou em 2013.

A decisão do "PTI" de cancelar o protesto se produz após vários dias de confrontos entre seus partidários e as forças de segurança, que segundo a formação política custou a vida de uma pessoa ontem.

As forças de segurança detiveram, além disso, quase mil opositores nos últimos dias, algo criticado ontem pela organização defensora dos direitos humanos Anistia Internacional (AI), que urgiu ao governo a respeitar o direito a protestar pacificamente.

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