Oposição venezuelana diz que Maduro prejudicou diálogo com ameaças a partido

Caracas, 2 nov (EFE).- A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirmou nesta quarta-feira que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deu um "soco na mesa" do diálogo ao qualificar como "terrorista" o partido Vontade Popular (VP) e ameaçar prender seu coordenador encarregado, o deputado Freddy Guevara.

"Maduro, com sua agressão ao Vontade Popular, com sua tentativa de dividir os democratas venezuelanos, está dando um soco na mesa", disse o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, em seu programa de rádio transmitido na emissora privada "RCR".

Torrealba lembrou que ontem Maduro agrediu de forma "brutal" toda a MUD e "todo o povo democrático venezuelano" e ressaltou que, com esta "investida", o governante não poderá conseguir seu suposto objetivo de dividir a unidade venezuelana".

O VP é um dos partidos da aliança que decidiu não participar do processo de diálogo com o governo que começou no domingo passado em Caracas com o apoio do Vaticano e mediadores internacionais.

O partido também criticou que tenham sido suspensas as ações que a oposição tinha proposto contra o governo de Maduro como uma passeata até o palácio presidencial de Miraflores e o chamado "julgamento político" do chefe de Estado no parlamento.

Torrealba destacou que a MUD está composta por partidos que têm visões distintas, mas mantêm uma estratégia comum que inscreve-se na democracia enquanto o governo, supostamente, segue fora da Constituição.

Segundo o porta-voz da aliança, a "manobra" de Maduro com as acusações ao VP é tentar dividir a MUD "entre dialogantes e radicais".

Além disso, indicou que, com suas ameaças, Maduro "está traindo a palavra empenhada perante o papa Francisco ao tentar esta agressão descomunal contra um dos movimentos que integram a Unidade Democrática".

Maduro declarou ontem que o VP, fundado e liderado pelo opositor preso Leopoldo López, é "terrorista" e pediu aos tribunais que tomem medidas contra a organização e contra seu coordenador encarregado.

O governante disse que, como chefe de Estado, apoiará "todas as decisões para que este grupo terrorista pague com a Justiça", embora não tenha especificado por que motivo esta organização política deveria ser tratada como criminosa.

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