Relatório envolve presidente da África do Sul em concessão de contratos

Pretória, 2 nov (EFE).- Um relatório da Ombudsman da África do Sul envolve o presidente do país, Jacob Zuma, em atividades ilegais para a concessão de contratos públicos a uma família de empresários com a qual mantém amizade.

O documento, que ordena a abertura de uma investigação em um prazo de 30 dias, foi publicado nesta quarta-feira depois que Zuma retirou o recurso que apresentou perante a Justiça para evitar sua divulgação.

A Ombudsman recopila várias denúncias de manobras do presidente e vários ministros e cargos públicos sul-africanos para garantir a esta família de empresários, os Gupta, acesso a lucrativos contratos em mineração, armamento e transportes.

A companhia elétrica nacional Eskom, a armamentista Denel e a de transportes Transnet são algumas das empresas públicas envolvidas no que veio a ser chamado na África do Sul como "captura do Estado" por parte dos Gupta.

O relatório recolhe o testemunho do vice-ministro de Finanças, Mcebisi Jonas, que conta com todos os detalhes como um dos três irmãos Gupta lhe ofereceu, na presença de Zuma, ser titular de Finanças pouco antes da saída de seu então chefe, Nhlanhla Nene.

A Ombudsman saliente e autora deste documento, Thuli Madonsela, oferece informação também do registro do telefone celular (celular) de quem finalmente substituiu Nene, Des van Rooyen.

Segundo o sinal de seu telefone, Van Rooyen, que esteve apenas alguns dias no cargo após o desabamento do rand com a saída de Nene, visitou a residência dos Gupta em Johanesburgo até em sete ocasiões na semana prévia a sua nomeação.

Desde o telefone de Van Rooyen -deslocado ao Ministério de Assuntos Tradicionais e Governo, onde segue- foram feitas durante esses dias várias ligações à residência dos Gupta, conforme dados recolhidos no relatório.

Com a mesma frequência se comunicavam, de acordo com dados das companhias telefônicas, os Gupta e Brian Molefe, presidente da elétrica Eskom, que concedeu às empresas dos irmãos suculentos dividendos pela provisão de carvão.

Outro testemunho-chave é o da ex-parlamentar do Congresso Nacional Africano (CNA) Vytjie Mentor, que denuncia que os Gupta ofereceram ser ministra de Administrações Públicas, com a condição de que cancelasse a rota da South African Airways (SAA) à Índia.

Originais do país asiático, de onde foram para a África do Sul em 1993, os Gupta têm uma companhia de aviação, que teria retomado a rota abandonada pela SAA, e mantêm negócios com um filho de Zuma.

Além da SAA, a televisão estatal e outras empresas públicas teriam pago irregularmente grandes quantidades de dinheiro ao jornal e às televisões dos Gupta, que são donos da firma de computadores Saara.

Thuli Madonsela encerrou no mês passado seu mandato de sete anos como Ombudsman.

Madonsela já pôs Zuma na berlinda ao denunciar as despesas indevidos na reforma de sua residência privada, pela qual o presidente teve que devolver meio milhão de euros ao Estado.

Seu relatório sobre a "captura do Estado" por parte dos Gupta é o último trabalho no cargo.

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