Santos diz que para a paz duradoura na Colômbia, é preciso combater a pobreza

Londres, 2 nov (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta quarta-feira em uma conferência na universidade London School of Economics (LSE) que uma paz duradoura em seu país implica combater a pobreza, além de acabar com as guerrilhas.

"A paz não é só o silêncio das armas, a ausência de guerra. Uma paz estável, justa e duradoura, consolidada, é aquela que levará o bem-estar às áreas mais remotas do país, onde o Estado não esteve devidamente representado", afirmou Santos durante seu segundo dia de visita de Estado ao Reino Unido.

Depois de se reunir nesta manhã com a primeira-ministra, Theresa May, o líder latino-americano analisou perante estudantes e acadêmicos da LSE as perspectivas econômicas e sociais que a Colômbia enfrentará com a paz, após mais de meio século de conflito.

Santos, agraciado em outubro com o prêmio Nobel de Paz, espera fechar o mais rápido possível um novo acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), depois que no começo de outubro os colombianos rejeitaram em referendo por uma estreita margem o pacto ao qual tinham chegado o governo e a guerrilha.

O governo da Colômbia mantém aberta também uma via de diálogo com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Em vista do cenário que será aberto com a paz, o presidente colombiano ressaltou a necessidade de manter as capacidades do Exército do país para preencher a vazio que deixarão as guerrilhas em áreas desfavorecidas, onde "a vida vai melhorar", afirmou.

Santos citou em seu discurso o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela ao afirmar que "a qualidade de uma sociedade e um governo são medidos pelo tratamento com seus membros mais frágeis".

"Uma paz satisfatória tem que cumprir com as necessidades dos pobres e ajudar a acabar com as diferenças nos padrões dos que vivem nas cidades e dos que vivem no campo", disse Santos, o primeiro presidente colombiano em visita de Estado ao Reino Unido.

O governo colombiano usou como exemplo em seu processo de paz interno outros cenários similares, como o da Irlanda do Norte, que conseguiu acelerar sua prosperidade graças ao fim da violência, afirmou Santos.

O chefe de Estado calcula que a Colômbia poderia passar de um crescimento anual de em torno de 4% a de 6% quando colocar fim ao conflito armado.

Os recursos para sustentar esse avanço sairão do recolhimento de impostos, do controle do gasto público desnecessário, dos investimentos que fomentem a produtividade e da diversificação da economia, indicou.

"Poucos pagam demais, e muitos que deveriam estar pagando, não fazem, ou fazem muito pouco", disse Santos.

Apesar do "surpreendente resultado" negativo na consulta sobre o acordo com as Farc, o líder colombiano destacou que "nunca antes tinha visto tanta gente saindo às ruas de forma espontânea" para pedir que o governo "salve o acordo o mais rápido possível".

Santos relatou que durante o trajeto de ontem até o palácio de Buckingham, alguns manifestantes gritaram em sua passagem pedindo um novo acordo de paz.

"A rainha (Elizabeth II) me perguntou se estavam a favor ou contra (o pacto). Eu disse que a favor", revelou o presidente, que ontem foi recebido em Londres junto a sua esposa, María Clemência Rodríguez, com um desfile militar e ofereceu um discurso no parlamento de Westminster.

Sobre as negociações com o ELN, o presidente colombiano reiterou que a fase pública desse diálogo não será iniciada até que a guerrilha liberte o ex-congressista Odín Sánchez Montes de Ganso, sequestrado há seis meses.

"Falei com eles durante anos. Temos uma agenda e tínhamos uma reunião prevista para na semana passada para iniciar as conversas públicas no Equador, mas disse que não nos sentaremos enquanto houver pessoas sequestradas", concluiu.

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