Iranianos lembram tomada de Embaixada dos EUA e pedem precaução ao governo

Artemis Razmipour.

Teerã, 3 nov (EFE).- Milhares de iranianos manifestaram nesta quinta-feira seu ódio aos Estados Unidos e pediram cautela a seu governo na manifestação para comemorar o 37º aniversário da histórica tomada da Embaixada americana em Teerã, que desencadeou a ruptura de relações entre os dois países em 1979.

Com os punhos fechados e gritos de "Morte aos EUA" e "Morte a Israel", os presentes exigiram precaução diante de um país "arrogante" que "não cumpre" com seus compromissos durante a manifestação para lembrar um incidente que derivou no sequestro, por parte de estudantes islâmicos, de 54 americanos durante 444 dias.

"Precaução, precaução" insistiam em pedir os participantes ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammed Javad Zarif, em referência à indicação do líder supremo do país, Ali Khamenei, do descumprimento por parte dos EUA do acordo nuclear conseguido no ano passado entre o Irã e a comunidade internacional.

Em um ato simbólico, os participantes destruíram com pedras um obelisco no qual colocaram as bandeiras dos EUA, Arábia Saudita, Israel e Reino Unido, para expressar sua rejeição a esses países.

Os cartazes mostravam a desconfiança do Irã em relação a Washington, destacavam a "sangrenta natureza assassina" de EUA, Arábia Saudita e Israel e criticavam as políticas do governo do atual presidente iraniano, Hassan Rohani, ao se sentar para negociar o tema nuclear com as grandes potências mundiais.

"Os EUA, diretores da guerra imposta (em referência ao conflito entre Irã e Iraque nos anos 1980)", "não confiamos nos EUA, enganadores", "a diplomacia de sorriso e súplica, traz ao povo humilhação ao invés de honra", diziam alguns cartazes.

Em discurso, o vice-comandante do Corpo de Guardiães da Revolução, general Hossein Salami, lembrou que se os EUA continuarem a descumprir o acordo nuclear, denominado Plano Integral da Ação Conjunta (JCPOA, em inglês), o Irã voltará a "ativar seu ciclo nuclear".

"A República Islâmica do Irã não esta comprometida só com o Grupo 5+1 (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França, mais Alemanha)", disse Salami, mas "também tem um compromisso inerente, persistente, profundo, forte e com raízes com o povo iraniano".

Uma manifestante de 45 anos explicou à Agência Efe que os iranianos estão "muito zangados com os EUA", pois acreditavam que, "depois do JCPOA", os problemas econômicos que existem no país "seriam solucionados, mas eles (os americanos) não cumpriram com seus compromissos".

"Já não confiamos mais neles (EUA)", disse a mulher, que confessou ter comparecido à manifestação, como faz todos os anos, para gritar "morte aos EUA e morte a Israel".

Said, um jovem de 28 anos com aspecto de estudante islâmico, se mostrou disposto a oferecer "até a última gota" de seu sangue: "Gritarei morte aos EUA e sacrificarei minha vida pelo líder e meu país", comentou.

Khamenei afirmou ontem que os EUA participaram de várias conspirações contra o Irã ao longo da história, a última das quais é o descumprimento do JCPOA por parte de Washington, antes de qualificar os governos americanos de "mentirosos" e "falsos", informou seu site oficial.

Por ocasião da comemoração da tomada da Embaixada, em uma jornada denominada "o dia da luta contra a arrogância", o líder iraniano afirmou que "a negociação com os EUA não é solução".

Os participantes, entre os quais havia tanto homens e mulheres mais velhos, como jovens e crianças acompanhadas por seus pais e professores, finalizaram a manifestação com a queima das bandeiras dos EUA e Israel.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos