ONG quer regulamentação de lei contra bullying na Argentina após morte

Buenos Aires, 3 nov (EFE).- O titular da ONG Bullying Sem Fronteiras, Javier Miglino, pediu nesta quinta-feira ao governo argentino que regulamente a lei contra o assédio escolar, que, denunciou, está aprovada, mas não foi efetivada, depois do suposto suicídio nesta quarta-feira de um menino de 13 anos na cidade na província de Buenos Aires de Zárate.

"Eu acredito que é preciso lançar uma campanha de emergência contra o bullying, que se fale 10 minutos antes de entrar nas aulas, que seja dito que o assédio escolar é ruim, que acarreta em mortes", considerou o ativista em declarações à Agencia Efe após o trágico fato, que relançou o debate na Argentina sobre esta problemática.

O adolescente morreu na tarde de quarta-feira no hospital de Zárate, onde agonizava desde terça-feira, quando apareceu com um disparo na cabeça por circunstâncias que ainda são investigadas.

Segundo contaram então à Efe parentes do menino, que asseguram que foi ele que se suicidou, o maltratavam na escola por sua cor de pele morena, o chamavam "Obama" e o agrediam, por isso que sua mãe inclusive o mudou de colégio.

"Estamos a ponto de fechar o ano e este é outro perdido para o assédio escolar", continuou Miglino ao denunciar as "falhas" que existem em nível legislativo para conter este drama. "Macri não regulamentou a lei nacional de bullying, e quando na Argentina uma lei não está regulamentada, não existe", criticou.

Segundo os dados de sua associação, o assédio escolar cresce na Argentina a um ritmo anual de 20%, uma porncentagem que em 2016 se elevou até 35% com relação ao curso anterior: entre março e setembro, foram recebidas mais de 1,5 mil denúncias.

O líder da ONG considerou que o problema da violência nas salas de aula é endêmico em toda América Latina e lembrou que o México "é o país com mais bullying do mundo".

Para Miglino, o assédio faz com que as meninos odeiem a escola e advertiu que é um drama muito estendido no mundo, algo que ilustrou com o exmeplo de Elon Musk, primeiro executivo do multinacional Tesla, considerado um dos homens mais inteligentes do mundo e que também sofreu maus-tratos quando criança.

"Sofreu bullying na escola e terminou hospitalizado, o que quero dizer é que onde há uma escola, há bullying", concluiu.

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