Presidente turco acusa Alemanha de proteger terroristas e golpistas

Ancara, 3 nov (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta quinta-feira a Alemanha de proteger e acolher terroristas curdos e simpatizantes de Fetullah Gülen, o clérigo islamita que é acusado pelo governo turco de orquestrar o fracassado golpe de Estado de 15 de julho.

O político islamita afirmou que a Alemanha "acolheu no passado as organizações terroristas PKK e DHKP-C (curdos) e se transformou agora no quintal da 'Organização Terrorista Fethullah Gülen (FETÖ, sigla em turco)'", como o governo se refere ao grupo do teólogo, que era aliado de Erdogan até 2013.

O presidente turco denunciou que a Alemanha se negou a entregar supostos membros dessa organização que vivem no país.

"Não vejo um bom futuro para a Alemanha. Se transformou em um dos países importantes que dão refúgio a terroristas. Muitos ataques racistas contra turcos acontecem lá. Ao invés de evitá-los, protegem os terroristas que são reivindicados pela Turquia", reprovou Erdogan.

O presidente turco chegou a dizer que a Alemanha ficará marcada na História como um país "protetor de terroristas".

"Acompanhamos este enfoque e esta prática com preocupação e horror", afirmou o chefe do Estado durante uma cerimônia de entrega de prêmios no Ministério de Cultura da Turquia.

Erdogan assegurou que notificou a chanceler alemã, Angela Merkel, de que a Turquia "tem problemas para entender sua proteção aos membros dessa organização", em referência a FETÖ.

Sobre as críticas do governo alemão à falta de liberdades e os ataques aos direitos humanos na Turquia, Erdogan perguntou o que aconteceria se o parlamento alemão fosse bombardeado e os tanques tivessem disparado contra a população, como ocorreu durante a tentativa de golpe.

"Ninguém tem nada a dizer sobre nossas leis nacionais. Faremos tudo o que nossa Constituição e nossas leis permitirem", advertiu Erdogan, antes de insistir que a Alemanha "está abrindo suas portas para o terrorismo".

Essas acusações de Erdogan são uma resposta às declarações feitas ontem por Merkel, que considerou "extremamente alarmantes" as contínuas restrições às liberdades de expressão e imprensa na Turquia.

Merkel mencionou a recente detenção de jornalistas do prestigiado jornal opositor "Cumhuriyet" e afirmou que o governo alemão tem "grandes dúvidas" de que esse "triste" episódio respeite os princípios de um Estado de Direito.

Além disso, a chanceler advertiu que essa questão terá "um papel central" nas negociações da Turquia para entrar na União Europeia. EFE

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