Republicanos e democratas se apressam para conseguir voto americano em Israel

Laura Fernández Palomo.

Jerusalém, 3 nov (EFE).- A menos de uma semana das eleições nos Estados Unidos e com empates técnicos em estados-chave como a Flórida, republicanos e democratas se apressam para conseguir votos em Israel, o quarto maior colégio eleitoral do país no exterior.

"O voto em Israel pode influenciar em Ohio e na Flórida", explicou à Agência Efe David Friedman, assessor do candidato republicano, Donald Trump em Jerusalém, capital israelense.

Friedman viajou na semana passada para Israel para um comício de campanha e lembrou a difícil vitória do também republicano George W. Bush contra o democrata Al Gore no pleito presidencial de 2000.

O Programa Federal de Assistência ao Voto dos EUA estima que 133.580 norte-americanos que vivem em Israel têm o direito de votar, representando a quarta maior comunidade de eleitores no exterior, atrás de Canadá (660.935), Reino Unido (306.000) e França (156.899).

Tel Aviv, por sua vez, é a segunda cidade do mundo com o maior número de eleitores do país: mais de 100 mil, atrás apenas de Vancouver, no Canadá.

Apesar de tradicionalmente os eleitores dos EUA no exterior praticamente não votarem (em 2012, não superaram 5%), os partidos não se esquecem como o voto de fora quase elegeu Al Gore há 16 anos.

"Buscamos mobilizar o eleitorado porque estamos convencidos que a maioria dos residentes aqui é democrata", disse à Efe Sheldon Schorer, um dos responsáveis pela campanha de Hillary Clinton em Israel, focada em ajudar os eleitores a se inscrever na votação.

Sem realizar grandes eventos públicos, Schorer trabalha dando conferências e divulgando as mensagens da ex-secretária de Estado considerada mais favoráveis para Israel.

Os republicanos, por outro lado, enviaram toda sua artilharia para Jerusalém, abrindo vários escritórios e organizando um simbólico encontro em frente à Cidade Antiga de Jerusalém. Donald Trump discursou por videoconferência, falou de seus vínculos com o povo judeu e prometeu fazer de Israel um local "seguro de novo".

O líder do Partido Republicano em Israel, Mark Zell, declarou à Efe que 80% dos que votaram nos últimos pleitos apoiaram o partido. Por isso, ele confia em conseguir repetir o respaldo neste ano.

A campanha de Trump levou imagens do empresário até mesmo ao território palestino ocupado da Cisjordânia, onde o alvo das ações são os colonos judeus instalados nos assentamentos.

Em agosto, os republicanos lançaram uma campanha em hebraico dirigida aos descendentes de segunda e terceira geração que, segundo Zell, não têm relação nem consciência política nos EUA. "Por isso eles precisavam de uma mensagem particular", explicou.

Ao contrário de outras eleições, Israel esteve bastante ausente da campanha, como mostra o fato de nenhum dos candidatos ter citado o país, o conflito com os palestinos ou mesmo as inexistentes negociações de paz durante o terceiro e último debate.

As preocupações dos eleitores norte-americanos em Israel vão desde a insatisfação no país pela situação geral no Oriente Médio, passando pelo acordo nuclear com o Irã e o aumento do terrorismo.

Muitos criticam especialmente o pacto atômico com Teerã, iniciativa a qual o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se opôs ferozmente, sem sucesso, ou também o posicionamento de Washington em relação ao conflito na vizinha Síria.

"Obama é o responsável pelo caos regional", disse à Efe a simpatizante republicana Chana Givon, que vê em Hillary uma extensão das políticas do atual presidente do país.

A opinião é rebatida pela voluntária da campanha democrata Hadas Theser, que defende que apenas a ex-primeira-dama será capaz de garantir a segurança de Israel e da região.

Uma recente pesquisa do Instituto de Democracia de Israel e da Universidade de Tel Aviv apontou que 55% dos cidadãos do país acreditam que Hillary vencerá as eleições. Outros 25% apostam que Trump levará a melhor e ocupará a Casa Branca a partir de janeiro.

De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados acreditam que a ex-secretária de Estado forçaria Israel a voltar a negociar a paz com os palestinos. Apenas 8% dizem crer que Trump defenderia uma estratégia semelhante de atuação para resolver o conflito regional.

Os cidadãos do país concordam, porém, em considerar que, independentemente de quem seja eleito, a aliança entre EUA e Israel é estratégica e não mudará com o novo presidente.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos