Rússia aprova lei mais dura e pena de prisão para conter uso de doping

Moscou, 3 nov (EFE).- A Câmara dos Deputados da Rússia (Duma) aprovou nesta quinta-feira uma li que determina multas e penas de prisão contra técnicos, médicos e outros profissionais que promovam o doping no esporte do país.

No caso de o acusado se envolver em práticas de doping em um atleta de forma individual, ele pode ser condenado até 1 ano de prisão ou receber uma multa de 300 mil rublos (cerca de 4,5 mil euros), além de ficar 3 anos longe do esporte.

Se os envolvidos na prática de uso de substâncias ilegais for um grupo de atletas ou um atleta menor de idade, o acusado pode ser punido com 1 ano de prisão e uma multa de 500 mil rublos (cerca de 7 mil euros).

Para os profissionais que apliquem doping com ou sem consentimento do atleta em questão, a punição pode ser de 1 ano de prisão, até 4 anos de afastamento e multa de 1 milhão de rublos (cerca de 15 mil euros).

Além disso, caso o consumo do doping provoque a morte ou lesões graves nos atletas, o técnico, médico ou especialista pode ser detido por até 3 anos e ser privado de exercer a profissão durante 5 anos, de acordo com as novas normas aprovadas pela Duma.

O projeto de lei incluía penas de até 5 anos de prisão, mas o governo fez emendas para reduzir a punição e a proposta finalmente recebeu o sinal verde dos deputados.

O presidente do Comitê Olímpico Russo, Aleksandr Zhukov, em discurso na Duma, expressou confiança de que a lei servirá como uma clara advertência para aqueles que pensam que sem o doping não podem obter grandes feitos e conquistas no esporte.

"Considero que a introdução da responsabilidade penal acompanhada de medidas educativas devem, em princípio, limpar o esporte russo dessa terrível praga. A grandiosa história esportiva soviética e russa mostra que nossos atletas, nossos atletas limpos, sempre conseguiram sucesso nas grandes competições", disse Zhukov.

Os deputados pediram que o governo renove de forma contínua a lista de substâncias proibidas publicada pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) para evitar sanções.

O governo do país resolveu endurecer a legislação contra o doping depois dos escândalos que provocaram a exclusão de muitos atletas russos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, como aqueles que faziam parte das equipes de atletismo.

O presidente da Comissão Independente Antidoping criada pelo Kremlin, Vitaly Smirnov, apoiou o endurecimento das punições contra os que promoverem o doping, iniciativa que tinha sido proposta recentemente pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Na época, o então ministro de Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, admitiu que o país ainda não foi capaz de acabar com o problema, apesar de ter convocado as organizações internacionais a reconhecer que já foram adotados importantes passos na luta contra o doping.

"Não fomos capazes de acabar com o problema do doping. Muitos técnicos, infelizmente, e os próprios atletas estão convencidos que, sem doping, não podem vencer", destacou.

Mutko, apontado pela imprensa internacional como principal responsável do sistema estatal de doping denunciado pelo relatório realizado pela Wada, deixou o cargo recentemente para se tornar primeiro-ministro do país, por ordem do presidente Vladimir Putin.

A Rússia ainda poderia ser excluída dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno devido às graves acusações de doping de Estado, em particular durante os Jogos de Sochi em 2014.

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