"Sou mulher e apoio Donald Trump"

Raquel Godos.

Falls Church (EUA), 3 nov (EFE).- A poucos dias para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, algumas americanas decidiram se reunir nos arredores de Washington para apoiar até o fim um homem "forte" no qual acreditam e que "defenderá o país que querem" para seus filhos. São mulheres e não têm nenhuma dúvida, votarão em Donald Trump.

É uma tarde cinza de outono no norte da Virgínia, um dos estados-chave no pleito americano, e cerca de 300 mulheres, algumas acompanhadas pelos maridos, combinam esforços para impulsionar a candidatura do magnata em um jantar para arrecadar recursos para a campanha.

"Fortune", que remete ao multimilionário, é o nome do restaurante chinês escolhido para o encontro. Ao abrir a porta, é possível ver ao fundo um grande cartaz cercado por dois grandes dragões dourados: "Mulheres por Trump na Virgínia".

Uma mesa repleta de propaganda eleitoral é ocupada por duas voluntárias que vendem broches com pequenos adereços coloridos que, como um mosaico, formam a palavra "Trump".

A maioria dessas mulheres são asiáticas, latinas ou brancas, e geralmente se vestem de maneira elegante, com brincos de pérolas, em algumas ocasiões luvas longas, vestidos pretos e salto alto.

Alice Butler-Short é a diretora de "Mulheres por Trump na Virgínia", costumava trabalhar como assistente legislativa, está aposentada e muito longe de aparentar os 73 anos, dos quais se diz orgulhosa. Desde o começo está com Trump, e o que começou como um pequeno grupo em seu salão a levou a percorrer todo o estado para apoiar o magnata.

"Estou com Trump desde o primeiro dia e era consciente do quão importante seria o voto das mulheres. Sabia que íamos acabar fartos do discurso democrata sobre a guerra contra as mulheres dos republicanos, quando são eles que têm a guerra contra as mulheres", disse.

Alice afirma que as mulheres republicanas "são fortes" e muito valiosas para transmitirem a mensagem conservadora, e tem certeza de que pode convencer "qualquer mulher com a mente um pouco aberta" que o multimilionário é a melhor opção para o país.

Ao ser perguntada por que diria a quem acredita que é impossível que uma mulher possa votar em Trump após os comentários misóginos feitos durante a campanha, ela é taxativa.

"Estão surdos? Estão cegos? Não viram e ouviram o que Hillary fez às mulheres durante esses anos? Como ela tratou as mulheres que seu marido, de fato, abusou?", respondeu.

Carolina Valero é de origem colombiana, está há 15 anos nos Estados Unidos e diz que não se sente latina, mas "americana", e orgulhosa de "um país, uma bandeira e valores" que só Trump pode defender hoje.

"Se você falar com as famílias, claro que as mulheres o querem. Querem voltar a ter uma família que se respeite. Não gostamos dessas síndromes que estão fomentando nas universidades e nos colégios, que não há gênero, que todo mundo é igual, que se um dia você não se sentir homem pode se vestir como mulher. O que é isso? Que horror", comentou.

Carolina acredita que os comentários obscenos ditos por Trump em relação às mulheres que desejava são, simplesmente, a maneira como "os homens falam".

"Assim falam os homens, assim fala meu marido, assim falam meus filhos. Nós também falamos assim dos homens com nossas amigas, ou inclusive pior", justificou.

Essa opinião coincide com a de Shawnda Gorostieta, de origem mexicana, que lidera o grupo de Mulheres Conservadoras do Condado de Loudoun, com mais de 500 integrantes.

Segundo Shawnda, muita gente já perguntou como ela, sendo mexicana, pode apoiar Trump depois que o magnata começou sua campanha tachando seus compatriotas como "estupradores" e "criminosos".

"Muita gente me pergunta isso. Mas eu acho que é preciso vir ao país de maneira legal, e o que ele propõe é bom para todos. Todos fazemos e dizemos coisas das quais nos arrependemos, e como mulher não considero ofensivas nenhuma das coisas que ele disse porque é apenas uma maneira de falar", declarou.

Para todas essas entrevistadas e as que se reúnem neste local, o valor da família defendido por Donald Trump é algo inquestionável.

"Hillary Clinton se candidata por poder e dinheiro, mas Trump se candidata por nós, pelas pessoas. É o que muitos políticos agora não entendem, que forem eleitos é para trabalhar por nós", analisou Shawnda.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos