Batalha presidencial dos EUA será decidida em poucos estados

Raquel Godos.

Washington, 4 nov (EFE).- Poucos dos 50 estados que formam os Estados Unidos podem decidir as eleições presidenciais da próxima terça-feira, e alguns deles, os chamados 'swing states', têm recebido atenção especial das campanhas dos candidatos Hillary Clinton e Donald Trump.

Nevada, Iowa, Ohio, Carolina do Norte e Flórida são os estados protagonistas na reta final da corrida eleitoral e onde os dois concorrentes na disputa pela presidência estão destinando seus esforços finais.

Em Nevada, por exemplo, a campanha foi constante e intensa nas últimas semanas, sobretudo por parte da equipe de Hillary, que não só fez a ex-secretária de Estado visitar a região. Todos os pesos pesados do partido tiveram compromissos de campanha por lá, com repetidos eventos com a presença do presidente do país, Barack Obama, e do vice-presidente, Joe Biden.

Conhecido pelos desertos, mas também pelos cassinos, Nevada é um dos estados mais disputados desta corrida presidencial, onde também há em jogo uma cadeira no Senado que poderia modificar o equilíbrio de forças entre os partidos na casa, hoje de maioria republicana.

"Nevada não é um voto de confiança nem para democratas, nem para os republicanos. É também um bom indicador da votação no geral", disse à Agência Efe o professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Nevada em Reno, Eric Herzik.

"Desde 1912, Nevada votou no candidato vencedor em cada eleição presidencial, exceto em 1976. Portanto, votamos a favor de (Ronald) Reagan e George H. W. Bush. Depois em (Bill) Clinton duas vezes", lembrou o especialista.

Apesar de esquecido por Hillary, que chegou a considerá-lo como perdido, o estado de Iowa voltou a ser um local disputado pelos dois candidatos na reta final de campanha. Ambos deixaram de lado os eventos de campanha no Colorado - que parece estar dominado pela democrata - e decidiram se concentrar no pequeno estado rural.

Por seu tamanho, Iowa conta com apenas seis votos no colégio eleitoral, mas é um reduto representativo da democracia no país, onde Obama ganhou em suas duas eleições apesar de ser considerado um local de tendência conservadora por causa de sua população.

Trump chegou a ter uma vantagem de quase sete pontos percentuais para Hillary em Iowa, mas agora a ex-secretária de Estado reduziu a distância para 1,4 ponto, de acordo com a média de pesquisa realizada pelo site "RealClearPolitics".

A Carolina do Norte é outro desses locais paradigmáticos. "É basicamente um estado 50%-50%, provavelmente mais estreitamente dividido do que qualquer outro atualmente", explicou à Efe o analista político Steven Green.

Green ressaltou que há uma minoria significativa na Carolina do Norte, especialmente afro-americana, que foi decisiva para Obama vencer no estado em 2008. Em 2012, mesmo com o apoio do grupo, o presidente perdeu para Mitt Romney por uma pequena vantagem.

"Os democratas se esforçarão muito para conseguir que a participação (eleitoral) das minorias seja a mais alta possível", concluiu Greene, que lembrou o fato de Obama ter realizado comícios no estado a uma semana das eleições.

O presidente, acompanhado de Biden, também será o responsável por convencer os eleitores de Ohio, um estado onde a ex-secretária de Estado parece ter perdido para o empresário republicano, mas ainda pode alimentar esperanças, de acordo com as últimas pesquisas.

"Ohio é um estado importante nestas eleições presidenciais, já que é muito disputado e garante 18 votos no colégio eleitoral. Nos últimos quatro pleitos, a diferença entre os dois principais candidatos foi de 3% dos votos", explicou à Efe o professor de Ciência Política da Universidade de Dayton, Daniel Birdsong.

Ele ainda citou o fato de que, historicamente, nenhum candidato republicano chegou à Casa Branca sem vencer em Ohio. Além disso, a última vez em que um democrata foi eleito presidente sem ter os votos do estado ocorreu em 1960. Com menos de uma semana para a votação, Trump tem uma vantagem de apenas um ponto percentual sobre Hillary, de acordo com a média das pesquisas.

"Ohio será sem dúvida um fator nessa eleição. Os brancos representam uma maior parte dos eleitores em Ohio do que no país em seu conjunto, e os homens brancos de classe operária foram o núcleo de apoio de Trump", explicou o especialista.

Já a Flórida, com 29 votos no colégio eleitoral, é um dos estados mais controvertidos das últimas décadas graças à composição demográfica muito complexa, com imigração cubana e porto-riquenha, mas também com regiões de aposentados brancos.

Muitos analistas acreditam que a decisão da população da Flórida pode ser a principal balança da eleição e isso se reflete na quantidade de eventos programados pelos dois candidatos na reta final da campanha. As pesquisas apontam uma vantagem de apenas 0,7 ponto percentual de Hillary sobre Trump, segundo a média elaborada pelo "RealClearPolitics".

Trump venceu de forma arrasadora na Flórida nas eleições primárias republicanas, surpreendendo o senador do partido no estado, Marco Rubio. Agora, como as pesquisas indicam uma margem estreia de Hillary para o adversário, o empresário nova-iorquino pode voltar a surpreender.

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