Candidatos apresentam visões opostas sobre economia

Alfonso Fernández.

Washington, 4 nov (EFE).- A economia voltou a ser um dos elementos-chave da agitada campanha eleitoral entre Hillary Clinton e Donald Trump, que apresentaram visões muito diferentes sobre como promover a recuperação nos Estados Unidos após a aguda crise.

Para o republicano, a prova das fracassadas políticas econômicas do presidente Barack Obama, de quem Hillary, segundo considera, não é mais do que a "continuação", é que se trata da recuperação "mais fraca" após uma crise na história do país.

"A situação da economia é desastrosa", disse recentemente Trump em um ato de campanha em Naples, na Flórida.

A economia americana teve nos últimos anos uma taxa anual de crescimento de cerca de 2%, e Trump promete aumentar esse número "para 4% ou inclusive mais" caso vença as eleições na próxima terça-feira.

Apesar de os economistas reconhecerem uma lentidão pouco habitual na revitalização econômica dos EUA, também apontam avanços em outros indicadores macroeconômicos como a taxa de desemprego, que é de 5%, em uma categoria próxima do pleno emprego e na metade do teto registrado nos piores momentos da crise, em 2010.

Por sua vez, Hillary comemora o percurso realizado pelos EUA especialmente após os anos posteriores à explosão da bolha financeira de 2008, embora reconheça que ainda falta caminho a percorrer para recolocar a classe média nos níveis prévios à crise.

Como receitas, a democrata aposta em aumentar os impostos sobre as rendas mais altas para financiar alguns dos grandes eixos de suas propostas: "realizar o maior investimento em infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial", oferecer acesso gratuito à educação universitária para as famílias de baixa renda e impulsionar a formação profissional.

Hillary não se cansa de emoldurar Trump dentro da teoria econômica responsável pela criação e explosão da crise devido a sua ênfase na queda de impostos para os ricos, a desregulação financeira e a falta de supervisão estatal.

"Só visa beneficiar milionários como ele próprio", ressaltou a democrata em um recente comício em Cleveland, no estado de Ohio.

Para o magnata nova-iorquino, por outro lado, o principal problema é o excessivo peso do governo federal na hora de regular a atividade empresarial, como é o caso da ênfase nas fontes energéticas renováveis - segundo ele, o que fazem é afogar a iniciativa empresarial.

Por isso, Trump prometeu diminuir os impostos sobre todos os americanos e "cancelar bilhões em pagamentos aos programas de mudança climática das Nações Unidas" para passar a apoiar projetos domésticos.

Seu objetivo é reforçar os setores de mineração e siderurgia em estados que foram afetados pela reconversão industrial e pela globalização, como é o caso do chamado "cinturão da ferrugem" de Ohio, Pensilvânia, Indiana e Michigan e as áreas produtoras de carvão de Kentucky, Virgínia e Virgínia Ocidental.

Sob o lema de "Voltar a fazer os EUA grandes de novo", o republicano responsabilizou o governo Obama - do qual não se cansa de lembrar que Hillary fez parte como secretária de Estado - de destruir empregos americanos e levá-los a outras partes do mundo.

Além disso, Trump atacou várias vezes uma das principais instituições americanas que sempre tentaram se manter longe da arena política, o Federal Reserve (Fed), banco central do país, já que considera que seu excessivo e prolongado estímulo monetário com taxas de juros próximas de zero estão criando "uma nova bolha financeira".

Estes visões, tão próximas em algumas ocasiões como o dia e a noite, parecem só ter um ponto em comum: o receio diante dos acordos comerciais internacionais e uma inclinação ao protecionismo.

Tanto Trump como Hillary prometeram "retirar" os EUA do Tratado Comercial Transpacífico (TPP), assinado no início do ano por Obama e que engloba 12 nações da Bacia do Pacífico.

O candidato republicano foi ainda mais longe e se comprometeu a elevar as tarifas sobre os produtos procedentes de China e México, dois dos principais parceiros comerciais americanos, e renegociar o acordo de livre-comércio com o México e Canadá.

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