Curdos se manifestam na Alemanha contra detenções de líderes na Turquia

Berlim, 4 nov (EFE).- Centenas de curdos se manifestaram na madrugada desta sexta-feira em várias cidades alemãs contra a detenção na Turquia dos líderes do esquerdista Partido Democrático dos Povos (HDP) e em meio às acusações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de que a Alemanha "protege" terroristas.

As concentrações ocorreram de maneira simultânea em Colônia, Essen, Dortmund, Bielefeld, Brêmen, Münster, Hamburgo e Berlim, com grupos de entre 200 e 100 manifestantes e discorreram pacificamente, informaram hoje fontes policiais.

Os protestos ocorreram pouco após ser revelada a detenção na Turquia de Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, co-presidentes do esquerdista HDP, terceiro do parlamento e conhecido por sua defesa dos direitos da minoria curda.

Em Berlim houve hoje uma primeira reação de protesto desde o estamento político por parte do líder dos Verdes e representante da comunidade turco-alemã Cem Özdemir, que chamou os partidos parlamentares a "atuar" frente a Erdogan.

"Todos os partidos políticos representados no Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) devem reagir juntos", apontou Özdemir, segundo o qual tal reação coordenada da coalizão de governo e da oposição teria maior peso perante o presidente turco.

A detenção dos líderes curdos coincide com um momento de forte tensão bilateral, depois que ontem Erdogan acusou o governo da chanceler Angela Merkel de ter protegido no passado o terrorismo curdo e de fazê-lo agora com os seguidores de Fethullah Gülen, ao que culpa da tentativa golpista de julho.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, rejeitou estas acusações e advertiu de que a Alemanha não se calará perante os ataques à liberdade de imprensa e opinião, em alusão ao assédio sofrido na Turquia pelos meios de comunicação críticos.

Merkel tinha qualificado um dia antes de "altamente alarmantes" as contínuas restrições às liberdades de expressão e imprensa na Turquia e advertido que este assunto terá "um papel central nas negociações de Ancara com a União Europeia (UE).

A chefe do governo fez referência assim à recente detenção de 13 jornalistas do jornal opositor "Cumhuriyet" e garantiu que seu governo tem "grandes dúvidas" de que esse "triste" episódio respeite os princípios de um Estado de direito.

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