Disputa pela presidência ressalta trajetórias antagônicas de Hillary e Trump

Pedro Alonso.

Washington, 4 nov (EFE).- Tão antagônicas quanto o dia e a noite são as trajetórias da democrata Hillary Clinton e do republicano Donald Trump, que vão se enfrentar nas urnas, no dia 8 de novembro, pela presidência dos Estados Unidos.

Poucas vezes na história os Estados Unidos se viram condenados a escolher entre dois candidatos com personalidades e currículos tão diferentes para assumir o cargo político mais poderoso do mundo.

Hillary, filha de um comerciante de Chicago, e Trump, herdeiro de um império imobiliário em Nova York, anunciaram suas pretensões presidenciais no ano passado, mas com estilos muito diferentes.

Com vasta experiência política, a ex-primeira-dama, ex-senadora por Nova York e ex-secretária de Estado anunciou em 12 de junho de 2015 sua candidatura presidencial pelo Partido Democrata para 2016.

"A cada dia os americanos precisam de um lutador, e eu quero ser essa lutadora. Vou fazer campanha para conseguir seu voto", afirmou Hillary em um vídeo de dois minutos transmitido em seu site oficial.

A ex-secretária de Estado teve uma tentativa fracassada de chegar à presidência em 2008, quando Barack Obama a derrotou na disputa pela candidatura do Partido Democrata.

Dois meses depois, o magnata Donald Trump, um "forasteiro" na política, campo no qual nunca ocupou um posto, oficializou em 16 de junho suas aspirações ao ritmo do lendário hino de Neil Young "Rockin'In The Free World".

"Damas e cavalheiros, vou entrar oficialmente na corrida para ser presidente dos Estados Unidos, e vamos fazer nosso país grande de novo", disse Trump em discurso de 45 minutos ao lado de sua família e diante de centenas de convidados em um de seus arranha-céus nova-iorquinos.

A partir daí, começou uma corrida muito desigual rumo à Casa Branca: por um lado, Hillary, com todas as apostas a favor e o apoio incondicional de seu partido; e por outro, Trump, com todas as previsões contra si e a rejeição de sua própria legenda política.

Na batalha pela indicação presidencial democrata, a ex-secretária de Estado só teve pela frente dois rivais significativos, o senador por Vermont, Bernie Sanders, e o ex-governador de Maryland, Martin O'Malley.

Logo após começar, no dia 1º de fevereiro, em Iowa, o período de eleições primárias e caucus (assembleias eletivas) para designar os candidatos à Casa Branca, O'Malley jogou a toalha e deixou o caminho livre para Hillary e Sanders, autoproclamado "democrata socialista".

Embora ninguém apostasse um centavo em um político veterano, teimoso e relativamente desconhecido como Sanders, sua promessa de uma "revolução política" e seus ataques contra Wall Street atraíram milhões de jovens e puseram Hillary em apuros.

No entanto, a ex-secretária de Estado confirmou todas as previsões, ganhou as eleições primárias em junho e fez história ao se tornar a primeira mulher a conseguir a indicação à candidatura de um grande partido nos EUA.

Mais difícil se revelou o caminho rumo à candidatura presidencial de Trump, o símbolo da "incorreção política", que enfrentou 16 pré-candidatos, entre eles nomes de grande pedigree republicano como Jeb Bush, Marco Rubio e Chris Christie.

Com um discurso populista repleto de insultos a seus oponentes e a imigrantes e muçulmanos, o magnata chegou ao ciclo de primárias como favorito nas pesquisas, para surpresa da classe política, dos analistas e da imprensa.

Como peças de dominó, os rivais de Trump foram caindo um a um até seus dois últimos adversários, o senador pelo Texas, Ted Cruz, e o governador de Ohio, John Kasich, darem o braço a torcer e abandonarem a disputa.

"Vamos atrás de Hillary Clinton. Ela não será uma grande presidente", alfinetou então o magnata, que ganhou a indicação presidencial com um número recorde de mais de 14 milhões de votos.

No final de julho, Hillary e Trump aceitaram a candidatura à presidência dos EUA nas respectivas convenções nacionais de seus partidos, que, mais uma vez, seguiram roteiros opostos.

Enquanto a ex-primeira-dama teve amplo apoio dos correligionários na Filadélfia - sendo acolhida pela cúpula democrata e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama -, o bilionário evidenciou em Cleveland sua solidão no Partido Republicano, cuja cúpula decidiu se distanciar de um candidato que ultrapassou muitas linhas vermelhas.

Desde então, Hillary e Trump protagonizaram uma das campanhas presidenciais mais desagradáveis de que se tem notícia nos EUA, uma realidade palpável na tensão de seus três debates transmitidos pela televisão.

Os dois candidatos também suportaram sonoros escândalos. Hillary, por exemplo, teve que lidar com o controverso uso de um servidor privado de e-mail para mensagens oficiais quando exercia o cargo de secretária de Estado (2009-2013), cuja investigação o FBI reabriu a poucos dias das eleições.

No caso de Trump, há uma longa lista de escândalos, apesar de se destacar a recente transmissão de um vídeo de 2005 no qual o empresário faz comentários grosseiros sobre as mulheres, o que provocou uma tempestade política.

Apesar de suas diferenças, Hillary e Trump coincidem em algo que todas as pesquisas revelam: são os dois candidatos presidenciais mais impopulares da história moderna dos EUA.

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