Hillary Clinton e a ascensão digna de um campeão nos ringues

Raquel Godos.

Washington, 4 nov (EFE).- Tudo começou em 1972 com uma derrota premonitória: não seria fácil, mas ela também não se renderia. Uma jovem nascida em Chicago, de apenas 25 anos, foi fazer campanha no Texas para o então candidato a presidente George McGovern. Chamava-se Hillary Rodham e começou perdendo.

Enquanto estudava Direito na Universidade de Yale, flertava com o compromisso com o serviço público, então decidiu viajar ao Meio Oeste para ajudar no registro de eleitores no segundo maior estado do país acompanhada de seu então namorado e também estudante de direito, que se chamava Bill Clinton.

Hillary começou perdendo naquela campanha, como perderia mais de 30 anos depois, em 2008, para o jovem e encantador senador Barack Obama após uma vida inteira de luta e progresso não isenta de escândalos, mas ninguém disse que ia ser fácil, e ela sabia disso desde o princípio.

Hoje Hillary Clinton está mais perto do que nunca de chegar à Casa Branca, a apenas dias de saber se toda uma vida de empenho pode finalmente render seus frutos e fazer com que se transforme na primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Especialista em resistir a escândalos políticos e pessoais, Hillary, que nunca renunciou a seu sobrenome de solteira, se especializou em juntar disciplina e resiliência, apertar os dentes e seguir adiante.

Durante o período das primárias, a sombra da derrota de 2008 passou sobre sua cabeça, quando ganhou de Bernie Sanders por uma margem estreitíssima em Iowa e foi derrotada de forma arrasadora pelo senador em New Hampshire, um cenário perigoso para o início eleitoral.

A sua vida pública sempre foi marcada por polêmicas, como no caso deste período eleitoral com o escândalo pelo uso de um servidor privado de e-mail para correspondências oficiais enquanto era secretária de Estado (2009-2013).

Embora a Justiça tenha decidido não processá-la algumas semanas antes da Convenção Nacional Democrata em julho, na semana passada, quando as pesquisas lhe previam um final de campanha tranquilo, o escândalo voltou à tona com a decisão do diretor do FBI, James Comey, de investigar novos documentos encontrados em outro caso e que, segundo notificou ao Congresso, poderiam estar relacionados com Hillary.

Em sua época como primeira-dama, quando começou a ter especial relevância na esfera pública, Hillary já avisou que não se limitaria a marcar presença em atos de caridade e nas visitas formais - literalmente advertiu que não se dedicaria a "fazer bolachas e servir chá" -, mas quis mudar as políticas federais.

Sua iniciativa para promover uma reforma da saúde a marcou como a primeira esposa de um presidente a não ter uma postura decorativa, mas daquela vez também perdeu no "primeiro round".

No entanto, como uma de seus marcas, não recuou em seu empenho e, quando ainda ocupava seu posto na Casa Branca e seu marido finalizava o mandato, se apresentou como candidata a senadora por Nova York (2001-2008) e se elegeu.

A candidata democrata à Casa Branca focou sua carreira na defesa dos direitos das crianças e das mulheres de um ponto de vista mais executivo, o que lhe valeu o selo de confiança em seu trabalho pelas famílias do país.

Perguntada há alguns meses, em entrevista à Agência Efe, sobre por que continuava trabalhando após tantas décadas de esforços, Hillary lançou mão do otimismo. "Acredito que sou a pessoa mais sortuda na Terra por poder estar aí por eles e para eles. E isso é o que vou fazer", disse.

Como "Rocky", o boxeador com o qual gosta de ser comparada, a advogada de direitos civis, ex-primeira-dama do estado do Arkansas, ex-primeira-dama do país, ex-senadora e ex-secretária de Estado voltou a subir no ringue para lutar.

O último round será contra Donald Trump, e o gongo vai soar na próxima terça-feira.

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