Hillary Clinton e Donald Trump, os dois lados da política migratória

Beatriz Pascual Macías.

Washington, 4 nov (EFE).- A candidata democrata às eleições presidenciais americanas, Hillary Clinton, e seu concorrente republicano, Donald Trump, representam duas visões opostas em relação à política migratória, com propostas tão diferentes como a aplicação de uma reforma e a construção de um muro entre México e Estados Unidos.

Quando a Agência Efe pediu à campanha de Hillary que resumisse em uma frase suas propostas sobre a migração, o diretor de imprensa hispânica da candidata, Jorge Silva, respondeu que ela, se eleita, vai "introduzir uma reforma migratória integral com um caminho para a cidadania plena e equitativa dentro de seus primeiros 100 dias de governo".

"Proteger o programa de Ação Diferida (DACA) e o plano Ação Diferida para Responsabilidade Parental (DAPA) e focar nossos recursos em deportar criminosos violentos, e não separar as famílias que cumprem a lei", acrescentou.

O próprio Partido Democrata falou de Hillary como sendo a sucessora que tornará realidade algumas das políticas do presidente dos EUA, Barack Obama, que em 2014 promulgou algumas normativas - conhecidas como DACA e DAPA - destinadas a conter a deportação de cinco dos 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país.

Durante toda a campanha, a ex-secretária de Estado prometeu "proteger" esses programas, que buscam frear de maneira temporária a deportação dos pais com filhos americanos ou residência permanente e dos jovens que chegaram aos EUA ainda crianças, conhecidos como "dreamers" (sonhadores).

Mas Hillary procura uma solução definitiva para reparar o sistema migratório dos EUA e, por isso, se comprometeu a impulsionar uma reforma migratória nos primeiros cem dias de sua presidência, uma promessa também feita por Obama, mas que não pôde ser cumprida após os republicanos tomarem conta do Congresso em 2014.

Caso o Congresso se negue a atuar, Hillary propôs criar um sistema que permita conter a deportação de imigrantes "com mérito" mediante critérios ainda não definidos, mas que incluiriam, por exemplo, pessoas que tenham dado alguma contribuição significativa em suas comunidades.

"Farei tudo o que puder para te ajudar", prometeu a candidata democrata em fevereiro a Karla Ortiz, uma menina de 11 anos, cujos pais são alvos de um mandado de deportação.

Longe da ternura demonstrada por Hillary em relação aos imigrantes, Trump se mostrou uma pessoa mais fria, capaz de viajar ao México, chamar de "amigo" o presidente Enrique Peña Nieto, e depois exclamar diante de uma multidão no Arizona sua promessa de construir um muro e fazer com que o governo mexicano pague por ele.

Nunca houve uma mudança de postura no candidato, que no site de campanha resume as posições migratórias em uma só frase: "dar prioridade aos postos de trabalho, aos salários e à segurança do povo americano".

"Devemos selecionar os imigrantes em função de sua probabilidade de ter sucesso nos EUA e de sua capacidade de ser autossuficiente em termos financeiros", diz o site do republicano.

Para Trump, o lema de "colocar os EUA em primeiro lugar" significa criar uma "força de deportação" para expulsar todos os imigrantes ilegais que vivem no país, assim como acabar com as chamadas "cidades santuário", nas quais as autoridades locais protegem imigrantes ilegais da deportação.

Entre as propostas mais polêmicas de Trump também figura a de tirar a cidadania recebida de maneira automática pelas crianças com pais estrangeiros que nascem em solo americano, chamadas depreciativamente de "bebês âncora" pelo magnata.

Em termos gerais, existe uma diferença conceitual entre os dois candidatos ao abordar o tema: enquanto Hillary aposta em resolver o problema migratório em si, Trump define suas políticas em outro plano que relaciona imigração com segurança nacional e terrorismo.

O magnata quer reduzir os níveis de permanência e implementar um bloqueio "completo e total" à entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, proposta que lançou em dezembro do ano passado, quatro dias depois do ataque cometido por um casal radicalizado que matou 14 pessoas em San Bernardino, na Califórnia.

Hillary repete continuamente que "os EUA são uma nação de imigrantes" e prometeu acabar com os centros de detenção para famílias de imigrantes que Obama reabriu em 2014, onde são retidos pais e filhos que cruzam a fronteira de maneira irregular.

Os imigrantes ilegais também costumam expressar preocupação com uma lei que a ex-secretária de Estado prometeu eliminar e que proíbe o reingresso aos EUA por um período de três ou dez anos aos imigrantes que viveram no país de maneira irregular, voltaram ao país de origem e agora desejam retornar ao território americano.

As políticas que Hillary propõe são mais progressistas que as executadas pelo marido, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), e pretendem concretizar uma nova realidade, na qual a população imigrante se mantenha estável, ao contrário do que deseja Trump, que considera a chegada de imigrantes ilegais uma ameaça.

Segundo o Departamento de Segurança Nacional (DHS), as detenções na fronteira caíram 79% desde o pico registrado em 2000, o que significa que menos imigrantes ilegais tentam atravessar a fronteira apesar da grande chegada em 2014 de crianças desacompanhadas e vindas da América Central.

Dados do Pew Research Center apontam que 11,1 milhões de imigrantes ilegais vivem nos EUA atualmente, número que quase não mudou desde 2009, no início da "Grande Recessão", e é inferior aos 12,2 milhões de imigrantes ilegais que viviam no país em 2007.

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