Votos cubano e porto-riquenho medem forças em eleição apertada na Flórida

Ivonne Malaver.

Miami, 4 nov (EFE).- O poder eleitoral dos cubanos será colocado à prova nas eleições presidenciais de novembro no crucial estado da Flórida, onde a crescente comunidade porto-riquenha ganhou força ao superar a marca de um milhão de imigrantes.

"Estamos chegando ao ponto em que haverá mais porto-riquenhos votando na Flórida do que cubanos, e isso vai mudar a maneira como se interpreta o voto latino na Flórida", disse à Agência Efe o presidente da ONG Mi Familia Vota no estado, Esteban Garcés.

O voto hispânico, que nestas eleições representa pelo menos 15% dos eleitores registrados até o dia 1º de agosto na Flórida, era até pouco tempo o equivalente ao voto cubano.

No entanto, essa situação mudou com a influência de imigrantes latino-americanos, especialmente de porto-riquenhos, diversidade que também contribuiu para consolidar a Flórida como um dos estados mais incertos do país, no qual tanto o Partido Democrata como o Republicano podem ganhar.

"Historicamente, vimos os cubanos como o poder político dos latinos na Flórida, mas essa concentração caiu na última década. Agora é outra Flórida. Os porto-riquenhos têm agora um grande poder para escolher o próximo presidente nesta eleição", comentou Garcés, que detalhou que mais de 40% do voto latino era cubano e agora caiu para 32%, enquanto o porto-riquenho chegou a 27%.

A comunidade cubana também mudou ao longo do tempo sua inclinação política com as novas gerações nascidas nos EUA e também com as recentes ondas de imigrantes de Cuba.

"Os cubanos de antes (da Revolução Cubana) de Fidel Castro que chegaram a Tampa não são tão conservadores como os que chegaram após Castro a Miami, mas agora a terceira geração, seus netos, de 18 ou 20 anos, que estão se registrando (como eleitores), não se lembram dessa época, e sua inclinação não é tão conservadora", disse Garcés.

As velhas gerações do exílio são as que impulsionaram e mantiveram congressistas republicanos como Ileana Ros-Lehtinen, Mario Díaz-Balart e Marco Rubio, entre outros, que favorecem políticas como o embargo estabelecido nos anos 60 pelos EUA sobre Cuba e reforçado em 1996 com a Lei Helms-Burton.

No entanto, a abertura diplomática empreendida desde dezembro de 2014 pelos governos de Cuba e EUA evidenciou a mudança de mentalidade da comunidade cubana, com um caráter mais diverso de pensamento político.

Os cubanos, cuja maioria se concentra no sul da Flórida, estão se "diversificando", já não são mais o "bloco sólido de republicanos", analisou Garcés. Enquanto isso, os porto-riquenhos estão mudando o centro da Flórida, uma região tradicionalmente considerada volátil.

A maioria dos hispânicos registrados neste ano pela Mi Familia Vota para votar nessa região, entre eles de 15 mil a 17 mil porto-riquenhos, optaram pelo Partido Democrata, seguido pelos sem afiliação política. A opção pelo Partido Republicano ficou em terceiro lugar.

"O que observei dos que se registraram é que são mais progressistas", comentou o presidente da organização.

Os porto-riquenhos se estabeleceram principalmente no chamado corredor da estrada Interestatal 4, que atravessa o centro do estado de leste a oeste e passa pelos condados de Hillsborough, Osceola e Orange.

Pelo menos 384 mil hispânicos estão registrados nesses três condados, de um total de mais de 1,9 milhão de eleitores latinos na Flórida, segundo dados oficiais até o dia 1º de agosto.

Muitos deles são porto-riquenhos que fugiram a partir de 2005 da crise em Porto Rico e que, segundo Garcés, estão obtendo em Nova York o "título" do estado com uma maior concentração do poder político porto-riquenho.

"O poder e a influência da comunidade porto-riquenha, não estão em Harlem (Nova York, onde se calcula há 1,2 milhão de porto-riquenhos), não estão em Chicago, estão aqui na Flórida. Aqui é onde está crescendo nossa comunidade", informou o congressista democrata porto-riquenho por Illinois Luis Gutiérrez, em uma recente visita ao estado em apoio à candidatura do correligionário Darren Soto.

Gutiérrez marcou presença para impulsionar a campanha de Soto, senador democrata estadual da Flórida, que será o primeiro porto-riquenho a representar o estado na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos caso vença o republicano Wayne Liebnitzky.

Soto conta com o apoio de imigrantes porto-riquenhos, que como cidadãos americanos podem se registrar como eleitores no mesmo dia que chegam e têm a possibilidade de votar para presidente, o que não podem fazer em Porto Rico, apesar de ser um Estado Livre Associado dos EUA.

"Temos seis mil porto-riquenhos saindo de Porto Rico a cada mês e a maioria deles vêm para cá", lembrou o congressista Gutiérrez em visita à Flórida.

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