Combates recomeçam no oeste de Aleppo após trégua humanitária

Susana Samhan.

Beirute, 5 nov (EFE).- Os confrontos voltaram a acontecer neste sábado nas partes oeste e sudoeste da cidade síria de Aleppo, após uma "trégua humanitária" feita ontem e declarada pela Rússia e pelo Exército sírio, enquanto a calma se manteve nos bairros assediados do leste da cidade.

Yasser Ibrahim Youssef, membro do escritório político do Movimento Nour al-Din al-Zenki - grupo que luta contra os soldados governamentais em Aleppo -, explicou à Agência Efe que atualmente estão acontecendo combates menores "com franco-atiradores em diferentes frentes", mas não deu mais detalhes.

Diferentemente de Youssef, o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdul Rahman, disse que os enfrentamentos entre as forças leais ao presidente Bashar al Assad e facções islâmicas e rebeldes voltaram com a mesma intensidade. Conforme explicou, os opositores tiveram como alvo concentrações de seus adversários em Dahie al-Assad e nas imediações de Tel Muta, no sudoeste.

O Exército sírio, junto a seu aliado, o grupo xiita libanês Hezbollah, se enfrenta nessas zonas com várias organizações, como a Frente da Conquista do Levante (ex-filial síria da Al Qaeda) e o Partido Islâmico Turco. O diretor do Observatório afirmou que as facções também tiveram como alvo veículos blindados das Forças Armadas nos arredores do distrito de Al Malah, no norte de Aleppo.

A agência de notícias oficial síria, "Sana", informou que a aviação nacional atacou posições de grupos terroristas e suas vias de fornecimento em sete localidades de Aleppo. De acordo com essas informações, o Exército matou e feriu dezenas de terroristas e destruiu fortificações e veículos repletos de armas automáticas.

O porta-voz da Defesa Civil na província, Ibrahim Abu Leiz, disse à Efe por telefone que, ao todo, foram 30 bombardeios em povoados do oeste de Aleppo. Esses ataques aéreos tiraram a vida de ao menos quatro pessoas.

Apesar do retorno da violência na metade ocidental de Aleppo, a tranquilidade continuou reinando ao longo do dia na parte oriental, assediada pelas forças governamentais e dominada pelos rebeldes, disse o porta-voz da Defesa Civil, que afirmou que não houve ataques nesta região.

Aleppo, a maior cidade do norte da Síria e que já foi o polo comercial do país antes da guerra, viveu ontem uma "trégua humanitária", anunciada unilateralmente pelo governo russo e pelas autoridades sírias e que durou das 9h às 19h (horário local, 5h 15h em Brasília). Esta pausa trouxe uma diminuição das hostilidades, embora duas pessoas tenham morrido e várias tenham ficado feridas por disparos de projéteis contra bairros em poder do Exército.

Alguns desses foguetes foram lançados contra o acesso norte de Aleppo, na Estrada do Castelo, onde há presença de tropas russas. Essas ações feriram, pelo menos, dois soldados desta nacionalidade, conforme confirmou o próprio governo russo.

Os dias anteriores à trégua tinham sido marcados por um aumento dos confrontos no oeste e o sudoeste de Aleppo, onde os grupos armados islâmicos e rebeldes iniciaram em 28 de outubro uma ofensiva para quebrar o assédio aos distritos do leste. Desde o começo dessa batalha, pelo menos 323 morreram, de acordo com dados fornecidos hoje pelo Observatório. Desse total, 74 eram civis; 93, soldados sírios e milicianos pró-governo, e 156, combatentes sírios e estrangeiros de facções rebeldes e islâmicas.

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