Diálogo político entre governo e oposição venezuelana segue contra o relógio

Caracas, 4 nov (EFE).- O processo de diálogo político iniciado no último domingo na Venezuela continuou nesta sexta-feira, embora a oposição impôs um curto prazo de tempo ao governo de Nicolás Maduro para decidir se contínua na mesa, o que este considerou um "ultimato" que ameaça o processo de conversas.

O diálogo avançou esta semana entre a insistência do governo de permanecer no poder e a ameaça da oposição de abandonar as negociações se os resultados concretos em uma semana, especificamente na convocação de um processo eleitoral.

O pedido da oposição foi aprovado nesta sexta, enviado dos Estados Unidos para apoiar o processo, o subsecretário de Estado, Thomas Shannon, enfatizando que as conversas devem conduzir a "algum tipo de agenda eleitoral" que garanta aos venezuelanos "a oportunidade de votar".

Depois de seis dias de reuniões, nenhum das dois lados ofereceu detalhes dos acordos que tenha sido alcançado, por isso que as declarações públicas e advertências das duas partes são os únicos resultados que os venezuelanos podem inferir a partir da mesa de diálogo.

A oposição venezuelana, reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD), insistiu que o principal objetivo que quer conseguir com estes encontros "uma solução eleitoral para a crise".

O duas vezes candidato à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, e principal promotor do referendo que buscava revogar o mandato de Maduro, advertiu que se o diálogo iniciado em Caracas não oferecer resultados em uma semana, o país entrará em um cenário "perigoso" de incerteza.

"Ou no dia 11 (de novembro) - quando está fixada a segunda reunião geral de diálogo - há um resultado concreto, uma manifestação clara que isto vai para algum lugar, ou esse diálogo que o governo matou, assassinou, e Venezuela entra em uma etapa de muitíssima incerteza, muito perigosa, que não queremos", disse Capriles.

Enquanto isso, o líder opositor preso, Leopoldo López, disse esperar que a oposição se levante da mesa de diálogo se esta não apresentar "resultados concretos e rápidos" e apoiou a posição de seu partido, Vontade Popular (VP), de não comparecer nas reuniões ao considerar que "não há condições" de diálogo.

A MUD também pediu que se abra um "canal humanitário" para que cheguem alimentos e remédios que estão escassos no país, a libertação dos chamados "presos políticos", e o respeito à autonomia dos poderes públicos que, segundo sua opinião, na atualidade são regidas pelo Governo.

Segundo o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, "esses são os objetivos e nenhum é mais importante que outro, os quatro são urgentes e os quatro estão sendo burlados de maneira simultânea".

Os dirigentes chavistas consideraram hoje que essas exigências da MUD representam uma espécie de "ultimato" que "ameaça" o processo.

O prefeito do município Libertador de Caracas e representante do governo nas mesas de diálogo, Jorge Rodríguez, disse que em dez dias não vão a "chegar a acordo de nada" e sugeriu "encontrar um terreno comum" entre as partes.

Por parte do governo, a única solicitação que tenha sido tornada pública é seu pedido que a Assembleia Nacional (AN, parlamento), de maioria opositora, voltar ao caminho da legalidade depois que ele é declarado em desobediência ao Supremo Tribunal de Justiça.

A outra, mais implícita, é sua permanência no poder na Venezuela uma vez que o chefe de Estado assegurou que "a revolução vai continuar" e que a oposição não voltará para a sede do governo "nunca mais".

Maduro também pediu para opositores que se mantenham na mesa do diálogo.

Enquanto isso, o secretário-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul), Ernesto Samper, convidou ao governo e a MUD para "evitar criar falsas expectativas sobre os resultados do diálogo no prazo inicial estipulado" até 11 de novembro.

"Estamos construindo espaços de confiança no diálogo para depois abordar os temas fundamentais, esta semana avançamos", afirmou Samper através do Twitter.

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