Em campanha eleitoral atípica, candidatos minoritários ganham espaço nos EUA

Miriam Burgués.

Washington, 5 nov (EFE).- Com níveis de reprovação históricos, os dois candidatos favoritos nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, tornaram possível um maior protagonismo e apoio nas pesquisas a outros concorrentes, de grupos independentes e minoritários, e ainda ampliaram o tamanho do "fenômeno Bernie Sanders" nas primárias.

Evan McMullin, ex-agente da CIA e ex-diretor de política do Partido Republicano na Câmara dos Representantes, lançou sua candidatura como conservador independente em agosto e se define como a melhor alternativa à opção dada aos norte-americanos de votar no "menor dos males" entre Hillary e Trump.

Voluntários e simpatizantes se reúnem nesta reta final de campanha eleitoral com McMullin em grandes eventos, como a maratona atual do Corpo de Fuzileiros Navais, que percorreu no domingo passado parte de Washington e do norte da Virgínia.

McMullin teve certa presença na imprensa nas últimas semanas, em meio aos longos discursos e matérias sobre a ex-primeira-dama e o polêmico empresário nova-iorquino, devido ao seu surpreendente desempenho em Utah.

Segundo a média de pesquisas elaborada pelo site "RealClearPolitics", McMullin venceria Trump em Utah por uma vantagem de seis pontos percentuais e pode estragar os planos do republicano de conquistar uma vitória no estado.

O ex-agente da CIA afirma estar criando um "novo movimento conservador" nos EUA e, em sua conta no Twitter, diz que seu objetivo é "bloquear" a chegada dos dois principais favoritos à Casa Branca. Para ele, "ambos são pessoas profundamente corruptas que provocariam um enorme dano ao país".

Já Gary Johnson, que já concorreu à presidência pelo Partido Libertário em 2012, quando obteve 0,99% dos votos, agora tenta mais uma vez vencer o pleito e liderar o país.

Ex-governador do Novo México, Johnson chegou a ter 9% das intenções de voto na média das pesquisas em nível nacional, mas o apoio foi caindo e agora registra apenas 4%, de acordo com o "RealClearPolitics".

O objetivo do libertário durante a campanha era, sobretudo, conseguir chegar a 15% de apoio na média das pesquisas, índice necessário para participar dos debates televisivos entre os candidatos à presidência e, assim, obter mais visibilidade.

Johnson não conseguiu atingir sua meta e, além disso, cometeu vários erros que se tornaram famosos. Entre eles está o protagonizado durante uma entrevista quando perguntou o que era "Aleppo", ao ser questionado sobre a crise na cidade da Síria.

Nesta semana, o companheiro de chapa de Johnson, o ex-governador de Massachussetts, Bill Weld, disse que uma missão "realista" para os libertários é obter 5% do voto popular nas eleições da próxima terça-feira, ao alertar sobre o "caos" de uma presidência de Trump e apoiar de forma indireta a candidata democrata.

Da mesma forma como ocorreu com Johnson, o apoio a Jill Stein, do Partido Verde, e que, como Hillary, quer ser a primeira presidente mulher da história dos EUA, caiu de 5% em julho para 2% atualmente.

Stein recebeu nesta semana o apoio da atriz e ativista Susan Sarandon, que explicou em carta aberta que ter "medo" de um governo Trump não é suficiente para votar em Hillary, devido ao "histórico de corrupção" da ex-secretária de Estado.

Durante as primárias para a indicação do candidato democrata, Sarandon foi uma das maiores defensoras de Bernie Sanders, senador quase desconhecido em nível nacional até então e que se definia como "socialista" e que disputou a vaga até o final com Hillary.

Nas eleições da próxima terça-feira, os eleitores de Sanders, de perfil jovem e progressista, decidirão se dão um voto de confiança a Hillary ou se deixam se encantar pelas outras alternativas de uma disputa que foi tudo menos previsível.

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