Empresária britânica que ganhou caso do "Brexit" recebe ameaças na internet

Londres, 5 nov (EFE).- A empresária Gina Miller, que na quinta-feira ganhou o caso na Justiça para que o parlamento do Reino Unido tenha que autorizar o "Brexit", disse neste sábado que está estudando se vai denunciar à polícia as múltiplas ameaças que recebeu através das redes sociais desde que a decisão judicial foi pronunciada.

Desde que a sentença foi apresentada, a principal promotora da revisão judicial, Gina Miller, uma britânica nascida na Guiana, recebeu ameaças de estupro e assassinato na internet, conforme ela mesma revelou hoje em entrevista à emissora "BBC".

"Dizem que eu devo ser decapitada, sofrer um estupro em massa, que não sou humana, que sou um primata, que meu lugar é a cozinha... Essas são algumas das mais suaves. É incrível", disse Miller à "Radio 5 Live" da emissora pública.

Outros comentários no Twitter e no Facebook pediam que ela fosse deportada, assassinada a tiros e jogada no lixo.

Miller é diretora de um fundo de investimentos e faz campanha por um setor financeiro mais transparente e equitativo. Ela explicou que se manteve afastada das redes sociais após as ameaças, mas que as pessoas de seu entorno recomendaram que ela as denunciasse à polícia.

Se os autores desses ataques na internet forem indiciados, em virtude da lei de comunicações maliciosas, poderiam enfrentar penas de até cinco anos de prisão.

Além disso, a empresária de 51 anos manifestou sua "tristeza" com a maior parte da imprensa conservadora do país e com alguns políticos eurocéticos por alimentarem a polêmica, porque isso instiga "ódio, racismo e violência", segundo ela.

Nessa mesma linha, vários deputados conservadores pediram à primeira-ministra, Theresa May, que reivindique a independência do Poder Judiciário e condene os ataques na imprensa e dos políticos defensores do "Brexit" contra os juízes que emitiram esse veredicto.

O governo britânico e o setor favorável à saída da União Europeia (UE) estão indignados e desconcertados desde que o Tribunal Superior desbaratou seus planos de invocar unilateralmente o artigo 50 do Tratado de Lisboa para iniciar as conversas com Bruxelas a fim de deixar o bloco.

Os juízes do Tribunal Superior decidiram que o governo deve convocar uma votação parlamentar e criar uma legislação específica antes de ativar esse artigo, que regulamenta o processo de dois anos para deixar o bloco.

O presidente conservador da comissão parlamentar de Justiça, Bob Neill, advertiu May para que ela intervenha para parar as acusações infundadas sobre os juízes que decidiram contra o governo, já que elas "ameaçam a independência do Poder Judiciário" e "não têm lugar em um país civilizado".

"Todos os ministros, começando pela primeira-ministra, devem deixar claro agora que a independência do nosso Judiciário é fundamental para a nossa democracia. É preciso respeitá-lo, mesmo que se esteja em desacordo com suas decisões", afirmou.

O ex-procurador-geral Dominic Grieve, que também faz parte do Partido Conservador, disse que os ataques são "horríveis e escandalosos" e lembram "um estado fascista".

May, que anunciou que recorrerá da sentença desfavorável na Suprema Corte, conversou ontem por telefone com vários líderes europeus para lhes dizer que espera ganhar o caso e que mantém o calendário previsto de iniciar as negociações no final do primeiro trimestre de 2017.

A primeira-ministra sofreu na sexta-feira outro revés com a renúncia do deputado conservador Stephen Phillips, que alegou "divergências políticas" sobre sua estratégia para o "Brexit", o que reflete a fragilidade de sua maioria parlamentar.

Apesar de todas essas pressões e divisões, a chefe de governo assegurou que não convocará eleições antecipadas para tentar respaldar sua maioria e referendar sua visão para a saída da União Europeia, da qual deu poucos detalhes, apenas que sua prioridade é conter a imigração.

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