Um ano depois, população de Mariana pede volta da Samarco

Mariana (MG), 5 nov (EFE).- Dezenas de pessoas pediram neste sábado em Mariana a volta da mineradora Samarco, que provocou há um ano a maior tragédia ambiental brasileira, para retomar suas atividades na região e conter o alto índice de desemprego.

Desde o acidente, a Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, suspendeu as atividades, o que gerou um aumento no número de desempregados nas localidades adjacentes que, mesmo não tendo sido afetadas diretamente pela tragédia, perderam a principal fonte de renda.

"Afetou muito porque nós dependemos financeiramente dos empregos que a Samarco gera. Agora, temos mais de 12 mil desempregados de um total de 60 mil habitantes. Estamos passando muitas dificuldades e não dá para fingir", declarou à Agência Efe o presidente da Câmara Municipal de Mariana, Antônio Marcos Ramos de Freitas (PHS).

Os manifestantes gritaram na porta da Prefeitura "Fica! Fica!" e levaram cartazes com frases como "Justiça sim! Desemprego não!", "Todos somos vítimas" e "O povo não aguenta mais desemprego".

"Está surgindo uma série de problemas para a Samarco voltar a operar e essa é nossa preocupação. Não pedimos que volte de qualquer maneira, queremos que volte com as condições necessárias, com segurança e justiça", ressaltou o vereador.

Pouco antes do início do protesto, na mesma praça, duas pessoas exigiram o contrário: a expulsão das mineradoras multinacionais, o que ocasionou um desentendimento entre os participantes.

"Queremos protestar contra esse crime premeditado. A exploração mineradora que realizam é feroz, e somos favoráveis à expulsão dessas empresas internacionais. Para isso, é necessária uma revolução", disse à Agência Efe o belo-horizontino Gerson Lima.

O presidente da Câmara de Mariana contestou que "seria hipocrisia" sustentar que a região não precisa do setor de mineração porque Mariana foi "criada para isso". "É fonte da nossa economia", acrescentou.

Em 5 de novembro do ano passado, o rompimento da barragem de Fundão provocou um tsunami com milhões de metros cúbicos de rejeitos, que, oficialmente, matou 19 pessoas e deixou um enorme rastro de lama e destruição nunca resolvidos.

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