Eleições de 2016 entrarão para a história como as mais insólitas dos EUA

Cristina García Casado.

Washington, 6 nov (EFE).- As eleições presidenciais da próxima terça-feira nos Estados Unidos entrarão para a história como as mais insólitas de uma nação que a partir de janeiro pode ser governada pela primeira vez por uma mulher ou por um polêmico magnata sem experiência política, temido dentro e fora do país.

"Embora haja algumas semelhanças com Ronald Reagan (1981-1989) nesse sentido (falta de experiência política), ele foi governador da Califórnia dois mandatos após seu período como ator. Trump seria o primeiro astro de reality show a se tornar presidente sem bagagem política nem militar", disse à Efe Aaron Kall, analista político e diretor de debate na Universidade de Michigan.

O apresentador do programa "O Aprendiz" foi, sem dúvida, não só a surpresa das eleições, como a figura que mais chamou a atenção, rompendo os esquemas da campanha eleitoral americana, talvez para sempre.

"Eleições nas quais os valores democráticos são desafiados, acusações desavergonhadas e sem fundamentos são feitas, a complexidade dos temas políticos é ignorada e há apelo a emoções irracionais são históricas da pior maneira", disse à Efe Stephen Wayne, especialista em presidência dos EUA da Universidade de Georgetown.

Nestas eleições os americanos aprenderam a esperar o inesperado: o bilionário fez campanha desde o minuto zero, e durante quase um ano e meio, com uma explosiva retórica racista e sexista que escandalizou o mundo.

"Trump tem um estilo pessoal de campanha que é bombástico, insultante e cheio de erros e mentiras. É o candidato dos milhares de erros", opinou Robert J. Spitzer, especialista em presidência da Universidade Estadual de Nova York em Cortland.

Milhares de erros aos quais sobreviveu várias vezes para perplexidade dos analistas políticos: o menor de seus escândalos teria acabado com a candidatura de qualquer outro político.

"Sua vitória é possível apesar de ele ter ventos políticos contrários ao extremo: uma equipe de campanha pequena, menos dinheiro arrecadado para gastar em publicidade, falta de apoios políticos e a ruptura aberta com a cúpula do Partido Republicano", lembrou Kall.

Assim, a poucos dias das eleições, um recém chegado à política sem o apoio de seu partido começa a pisar nos calcanhares de Hillary Clinton, "a candidata mais preparada da história", como gosta de dizer o presidente Barack Obama.

"Ela o venceu nos três debates presidenciais e continuam em uma competição apertada. Os eleitores estão furiosos com o partidarismo em Washington e estão buscando alguém de fora da arena política tradicional para sacudir o sistema", argumentou Kall.

A razão pela qual Trump ainda tem chances de ganhar é justamente o fato de enfrentar Hillary, uma candidata com todas as credenciais, mas muito impopular: ambos são os candidatos presidenciais mais rechaçados da história de EUA, o que reduz estas eleições a escolher "o mal menor".

"A impopularidade de Hillary se explica por seu longo histórico na política, com oponentes que a rejeitam há décadas, unido ao fato de que ela mesma buscou problemas, como decidir usar um servidor privado de e-mail quando era secretária de Estado (2009-2013)", destacou Spitzer.

No entanto, as pesquisas e a maioria das previsões indicam uma vitória de Hillary, um marco que abriria uma nova página na presidência dos Estados Unidos: a primeira mulher à frente da Casa Branca quando se completa quase um século do acesso feminino ao voto (1920).

"Sua transição de primeira-dama do (estado do) Arkansas a primeira-dama dos Estados Unidos, a senadora, a secretária de Estado e a presidente é um caminho impressionante que provavelmente não voltaremos a ver", afirmou Kall.

Além disso, a vitória de Hillary representaria a volta à Casa Branca de um ex-presidente, desta vez na condição de "primeiro cavalheiro": Bill Clinton (1993-2001).

Ganhe quem ganhar no dia 8 de novembro, já foi feita e ainda será feita história.

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