May quer negociar o "Brexit" "por completo" mesmo após revés judicial

Londres, 6 nov (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, mantém seu plano de negociar um "Brexit" "por completo" apesar da sentença judicial emitida na quinta-feira que lhe obriga a pedir autorização ao parlamento antes de iniciar o processo, segundo ela mesma escreveu em um artigo publicado neste domingo no jornal "The Sunday Telegraph".

Por outro lado, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, adiantou, segundo a publicação "The Sunday Mirror", que sua legenda não apoiará a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa - o que iniciaria os dois anos de negociações com Bruxelas - se May não garantir que negociará acesso ao mercado único europeu e preservará os direitos trabalhistas.

Em seu artigo, a chefe do governo conservador explica que decidiu recorrer da decisão do Tribunal Superior, que requer uma votação parlamentar antes da ativação do artigo 50, porque "há um princípio em jogo".

"Pode parecer um debate sobre procedimento, e o argumento legal é complexo, mas a realidade é que há um importante princípio em jogo", escreveu May.

"O parlamento aprovou colocar nas mãos do povo britânico a decisão sobre nossa filiação à União Europeia. O povo escolheu, e o fez de maneira decisiva. É responsabilidade do governo realizar o trabalho e executar suas instruções por completo", prosseguiu May.

"Os deputados e os lordes que lamentam o resultado do referendo, devem aceitar o que o povo decidiu", opinou a premiê, que no referendo votou com ressalvas pela permanência na UE e em julho foi escolhida por seu partido para liderar um governo de unidade entre europeístas e eurocéticos.

"Ao invés de recriar batalhas do passado, deveríamos nos concentrar em como podemos nos unir como país para tirar o máximo proveito desta grande oportunidade nacional e forjar um futuro global audaz e confiante para o Reino Unido", acrescentou May.

"Essa deveria ser nossa ambição, em torno da qual deveríamos nos unir", frisou a premiê, que é reticente a expor sua estratégia ao parlamento para não "revelar suas cartas" a Bruxelas.

Em entrevista ao tabloide trabalhista "The Sunday Mirror", Corbyn advertiu por sua vez que seu partido bloqueará a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa a não ser que o governo aceite quatro "condições básicas".

Estas condições são: negociar acesso ao mercado único europeu, preservar os direitos trabalhistas, garantir os direitos dos consumidores e do meio ambiente e o compromisso de destinar fundos para compensar qualquer investimento europeu perdido pelo "Brexit".

"O tribunal disse que o parlamento deve ser consultado. Nós aceitamos o resultado do referendo. Não estamos desafiando esse resultado", declarou Corbyn.

"Estamos pedindo acesso ao mercado europeu para a indústria britânica", explicou o líder trabalhista.

Por outro lado, Corbyn garantiu que o Partido Trabalhista "está pronto" se May, que não passou pelas urnas, decidir convocar em qualquer momento eleições antecipadas para referendar seu mandato e seus planos.

"Temos os filiados, a organização e o entusiasmo", afirmou o dirigente social-democrata, ao detalhar que as eleições dariam a oportunidade de "colocar diante do povo britânico uma estratégia econômica alternativa para o país".

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