Partido pró-curdo suspende trabalho parlamentar em protesto por detenções

Ancara, 6 nov (EFE).- O Partido Democrático dos Povos (HDP, sigla em turco), a formação da esquerda pró-curda e o terceiro maior grupo do parlamento da Turquia com 59 cadeiras, anunciou neste domingo que está suspendendo seu trabalho na Câmara em protesto pela prisão de seus líderes.

A decisão foi anunciada pela legenda após uma reunião de sua direção para decidir que estratégia seguir após a detenção, ocorrida na última sexta-feira, de 12 de seus deputados, entre eles seus dois líderes, Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag.

"Decidimos interromper nosso trabalho no órgão legislativo e não vamos participar das comissões parlamentares e do plenário", declarou à imprensa Ayhan Bilgen, porta-voz do HDP.

Os 12 deputados do HDP foram detidos dentro de uma investigação sobre supostos vínculos do partido com o grupo armado Partido dos Trabalhadores de Curdistão (PKK, sigla em curdo), apesar de o HDP sempre ter defendido a via pacífica.

Os parlamentares também devem responder sobre os protestos de outubro de 2014, quando dezenas de pessoas morreram em enfrentamentos entre ativistas da esquerda curda e islamitas por causa do assédio do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) à cidade curda de Kobane na Síria.

As detenções foram criticadas tanto pela oposição turca como pelos EUA e pela União Europeia.

"Nosso grupo parlamentar e o Conselho Executivo Central (do HDP) decidiram interromper seu trabalho no Legislativo para que nos reunamos mais uma vez com nossa gente em reação ao mais obscuro ataque de nossa história política democrática", disse Bilgen.

"Nos próximos dias iremos a todas as casas, a todos os povoados e cidades, escutaremos as queixas e propostas de nosso povo, falaremos com as forças democráticas e trabalhistas, com as ONGs, organizações profissionais e grupos confessionais", adiantou o porta-voz do HDP.

Bilgen declarou que, após essas reuniões, será decidido se novos líderes serão nomeados no partido para substituirem Demirtas e Yüksekdag.

"Tem algum sentido estar no parlamento? As pessoas vão decidi-lo nesses debates, decidiremos com eles onde vamos estar e até onde chegaremos", comentou o porta-voz.

"A Turquia vive um momento crítico", concluiu Bilgen, que disse que interromper o trabalho no Legislativo não significa renunciar ao parlamento.

O HDP já havia criticado na sexta-feira passada o crescente autoritarismo na Turquia e vinculou as detenções com o objetivo de "enclausurar o partido" que se opõe às ambições do presidente, Recep Tayyip Erdogan, de reformar a Constituição e atribuir-se poderes executivos.

Na Turquia está vigente um estado de emergência, após o fracassado golpe de estado de julho, que concede ao governo poderes adicionais e que a oposição considera que está sendo utilizado para eliminar as vozes críticas ao poder.

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