Hong Kong executará decisão da China de vetar deputados independentistas

Hong Kong, 7 nov (EFE).- O chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-Ying, confirmou nesta segunda-feira que executará a decisão do governo da China de proibir que dois legisladores independentistas possam ocupar suas cadeiras no parlamento da ilha, apesar das críticas a esta medida.

"Como chefe de governo tenho o dever de cumprir a Lei Básica (a Constituição de Hong Kong)", afirmou Leung horas depois que o parlamento chinês anunciou sua interpretação da Carta Magna da ex-colônia britânica para impossibilitar que os dois jovens ocupem suas cadeiras.

A Assembleia Nacional Popular (ANP), o Legislativo chinês, decidiu hoje que o comportamento dos dois legisladores independentistas durante seu juramento de posse, quando insultaram e utilizaram linguagem depreciativa em relação à China, os desqualifica para tomarem posse de seus cargos.

Concretamente, a ANP se ateve à interpretação do artigo 104 da Lei Básica que estipula que os parlamentares "devem jurar lealdade à Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China" para ocuparem suas cadeiras.

Diante da polêmica sobre o que fazer quando um legislador não cumpre o processo conforme o estipulado pela Carta Magna, o parlamento chinês concluiu hoje que se trata de "um requisito legal" para tomar posse do cargo.

Além de vetar esses dois legisladores, Pequim lançou hoje uma advertência aos parlamentares mais radicais que fazem parte do novo parlamento de Hong Kong, que nas eleições de 3 de setembro deu as boas-vindas a oito deputados de tendência liberal, alguns deles com ideais independentistas.

"(Pequim) Não permitirá que ninguém defenda a independência de Hong Kong, nem que ativistas pró-independência entrem em uma instituição governamental", declarou nesta segunda-feira um representante do Escritório de Assuntos de Hong Kong da China em entrevista coletiva.

Sobre essa questão, o chefe do Executivo de Hong Kong, que vem sendo criticado publicamente por sua displicência em relação a Pequim, evitou hoje responder de forma direta à questão de que o veto chinês poderia acontecer com qualquer legislador que defender a autodeterminação da ilha.

Agora os olhares estão voltados para a reação dos políticos afetados pelo veto e das facções mais radicais de Hong Kong, sobretudo as surgidas após os protestos democráticos da "Revolução dos Guarda-Chuvas" de 2014, depois que ontem milhares de pessoas saíram às ruas contra a possível "intromissão" de Pequim.

Por enquanto, o Colégio de Advogados de Hong Kong convocou uma manifestação silenciosa para amanhã contra a decisão adotada pelo parlamento chinês e outras mobilizações também podem ocorrer na ex-colônia britânica.

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