Igreja francesa realiza dia nacional de penitência por pedofilia

Paris, 7 nov (EFE).- Bispos, sacerdotes e fiéis foram convocados nesta segunda-feira em toda França para participar das missas de penitência pelos abusos sexuais cometidos por clérigos católicos, para pedir perdão às vítimas por seu "silêncio culpado".

Os bispos franceses, reunidos em assembleia plenária no santuário de Lourdes, realizarão um dia de orações e jejum ao qual foram chamados todos os crentes, que poderão assistir nas paróquias do país a estas eucaristias de contrição.

Segundo a conferência episcopal, trata-se, em primeiro lugar, de rezar pelas vítimas, mas também de "um pedido de perdão pelos pecados cometidos por membros do clero" e de "uma oração para que os atores da Igreja tenham uma consciência mais viva de suas responsabilidades".

Com esse fim, os 150 bispos franceses -dos quais 100 seguem em ativo- celebrarão uma missa de manhã em Lourdes, que será seguida por uma oração pela tarde.

O dia concluirá com uma entrevista coletiva para apresentar os primeiros resultados da "célula permanente de luta contra a pederastia" criada em abril de 2016.

No entanto, várias vítimas e associações se queixaram de que o clero francês não convidou e nem contou com os afetados para organizar este dia de penitência.

A associação "A palavra liberada", que revelou recentemente a maior parte dos abusos conhecidos por parte de padres, denunciou que a Igreja os deixou de fora.

"Não nos pediram nada. Mas, ao mesmo tempo, também não esperamos grande coisa da instituição", disse o presidente da organização, François Devaux" ao jornal "Le Parisien".

Os bispos explicam que trata-se de "um dia de oração e de penitência, não de amparo", mas textos escritos por vítimas serão lidos em algumas paróquias.

A última polêmica sobre a pederastia na França afetou o influente cardeal Philippe Barbarin, denunciado por suposta encoberta dos abusos cometidos em sua diocese de Lyon pelo padre Bernard Preynat, que nos anos 90 foi transferido de paróquia para evitar o escândalo.

Apesar disso, a Promotoria arquivou no mês passado de agosto a investigação contra Barbarin, que sempre negou o conhecimento dos abusos sexuais aos menores, mas que reconheceu em abril que foram cometidos "erros" em matéria de luta contra a pederastia e na designação de alguns sacerdotes.

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