Incógnita sobre abstenção marca pleito, com Ortega favorito na Nicarágua

Luis Felipe Palacios.

Manágua, 6 nov (EFE).- Com o presidente Daniel Ortega como grande favorito para conseguir seu quarto mandato e terceiro consecutivo, a incógnita sobre o nível de participação marcou neste domingo as eleições na Nicarágua, um processo questionado tanto pela ausência do principal bloco opositor como da observação internacional.

Ortega chegou como favorito a esta eleição com uma nova e criticada candidatura à Presidência, agora junto com sua esposa, a influente primeira-dama Rosario Murillo, conhecida popularmente como "La Chayo".

A isso favoreceu a ausência da opositora Frente Ampla Democrática (FAD), devido a questionadas decisões dos poderes Eleitoral e Judicial, o que acrescentou tensão a todo o processo, com apelos opositores à "abstenção ativa" neste domingo.

As autoridades eleitorais e seus convidados, entre eles cinco ex-presidentes latino-americanos, concordaram em destacar a normalidade do dia de votação acima de pequenas incidências técnicas que não vão influir no resultado.

O ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo (2008-2012) disse que o pleito se desenvolveu "com absoluta tranquilidade e normalidade", enquanto o presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya (2006-2009) parabenizou "o povo da Nicarágua, um povo que suportou ditaduras sangrentas e que hoje, mediante um esforço coletivo, vemos que pacificamente elege suas autoridades".

O presidente do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), Roberto Rivas, disse que houve "algumas leves confusões em alguns municípios em matéria do censo eleitoral, mas isso é algo que ocorre em todas as eleições", sem consequências.

O ente eleitoral se mostrou otimista com a afluência de pessoas às Juntas Receptoras de Votos, apesar de não tere sido observado um fluxo em massa de eleitores.

A maior afluência de cidadãos nicaraguenses às juntas se viu de manhã, mas apesar disso também não pôde se perceber uma participação grande.

O Consórcio Panorama Eleitoral, integrado por quatro organismos cívicos nicaraguenses, informou de uma "presença moderada" no pleito deste domingo.

No entanto, líderes do FAD asseguraram que a abstenção "foi em massa", o que consideraram uma expressão "da rejeição à farsa eleitoral".

"Fizemos um cálculo de 70% a 80% de abstenção", afirmou a ex-candidata à vice-presidência da principal força opositora, Violeta Granera, com base em um relatório preliminar dos observadores do FAD posicionados fora dos centros de votação.

O chefe de campanha da candidata a vice-presidente da opositora Aliança Liberal Nicaraguense (ALN), David Salazar, disse à Agência Efe que o nível de abstenção observado, de 60% segundo esse grupo, "é algo insólito e preocupante".

Após votar, apenas 12 minutos antes do fechamento oficial dos colégios eleitorais, Ortega qualificou o dia de "histórico", sem se referir ao nível de participação.

Ele ressaltou em discurso que o pleito foi presenciado por cinco ex-presidentes da região, assim como por um grupo de analistas eleitorais da América Latina e 120 personalidades internacionais.

Por decisão de Ortega, o pleito não contou com observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) nem da União Europeia (UE), entes que questionaram o processo eleitoral de 2011, no qual obteve sua segunda reeleição consecutiva.

Ortega, que completará 71 anos no dia 11 de novembro, governou o segundo país mais pobre da América Latina, depois do Haiti, em dois períodos: a primeira desde 1985 até 1990, quando foi derrotado por Violeta Chamorro (União Nacional Opositora), e a segunda, desde 2007, ao vencer nas presidenciais realizadas um ano antes e também nas de 2011.

Espera-se que o Tribunal Eleitoral divulgue o primeiro cômputo oficial da apuração até 1h30 (horário de Brasília).

Cerca de 4,34 milhões de nicaraguenses foram convocados neste domingo para escolher um presidente, um vice-presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e 20 representantes do Parlamento Centro-Americano.

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