Latinos dos EUA buscam fazer história em disputadas eleições presidenciais

Miami, 7 nov (EFE).- Os latinos dos Estados Unidos pretendem mostrar nesta terça-feira seu verdadeiro potencial eleitoral em disputadas eleições presidenciais com uma presença maciça nas urnas que se refletirá também no desembarque histórico de mais hispânicos no Congresso.

"A comunidade latina está participando não só com recorde de eleitores, mas em recorde de registrados e também um número recorde de pessoas que se tornaram cidadãs para votar, e também em jovens que estão participando", declarou nesta segunda-feira à Agência Efe Ben Monterroso, diretor do grupo nacional Minha Família Vota (MFV).

Os eleitores latinos, que consolidaram em 2008 e 2012 a vitória do presidente Barack Obama, estão se mobilizando de forma antecipada às urnas, encorajados pelo discurso anti-imigração do candidato republicano, Donald Trump.

"O que o senhor Donald Trump veio fazer foi levantar esta consciência, esta responsabilidade, que temos algo a fazer e não só nos queixar que alguém nos está insultando", afirmou Monterroso.

O poder eleitoral latino se apresenta especialmente crucial em estados que ainda não têm claro se querem Trump ou a democrata Hillary Clinton como presidente, entre eles Flórida e Nevada, e inclusive Arizona e Colorado, de grande população hispânica.

"Já votamos em número recorde no pleito antecipado, registramos mais eleitores que muitos anos atrás e muitos mais se tornaram cidadãos, aumentou 37% em nível nacional, e 50% em Nevada e Flórida. A história já está sendo feita", completou Monterroso.

A Flórida, com mais de 15% de eleitores hispânicos registrados e onde ambos candidatos estão virtualmente empatados, é um bom exemplo da potencial repercussão que terá o voto de uma comunidade minoritária, com 55 milhões de latinos no país.

O estado se viu saturado nos últimos dias por inumeráveis visitas de ambos candidatos e seus companheiros de chapa, além do presidente Obama, que esteve quatro vezes nas últimas duas semanas, na busca de seus 29 votos no colégio eleitoral, dos 270 que são necessários para garantir a presidência.

O voto antecipado entre latinos da Flórida já ultrapassou as taxas de 2012 por mais de 150%, particularmente entre porto-riquenhos da área central do estado, informou hoje uma coalizão não partidária que realiza a campanha #QueVoteMiGente.

"Não cabe a menor dúvida que esta será a eleição mais importante de nossas vidas e que os latinos da Flórida são a chave para o sucesso", disse José Calderón, presidente da Federação Hispânica.

O eleitorado latino alcança 12% do total do país, com um número recorde de 27,3 milhões de hispânicos habilitados para votar nesta terça-feira, embora tradicionalmente só a metade compareça.

No entanto, a organização Latino Decisions calcula que um máximo de 14,7 milhões de latinos, o que representaria um aumento de 3,5 milhões em comparação com as eleições de 2012, votarão nestes pleitos, que também mudarão um terço de seus senadores (34) e 435 cadeiras da Câmara dos Representantes.

Segundo o centro de pesquisas Pew, a taxa de latinos elegíveis disparou 40% desde 2008, uma das mais rápidas de qualquer grupo no país.

O chamado "efeito Trump" contribuiu durante este ciclo eleitoral para mobilizar mais hispânicos como nunca antes, segundo a Latino Decisions, que desde o lançamento da campanha do republicano mediu sua popularidade entre esta comunidade.

Sua mais recente pesquisa aponta 62 pontos de diferença em favor de Hillary sobre Trump, que chamou os imigrantes mexicanos de "estupradores" e "criminosos" e que pretende deportar todos os imigrantes ilegais.

Empurrados pelo discurso hostil e anti-imigração de Trump, metade dos hispânicos já teria votado antes de terça-feira, segundo uma pesquisa da Associação Nacional de Funcionários Eleitos (NALEO).

Caso se confirme a votação em massa que se espera, esta superaria o apoio que Obama recebeu dos latinos nas eleições de 2008 (75%) e 2012 (71%).

Além de medir seu poder eleitoral, a participação dos hispânicos nas eleições de terça-feira pode ajudar a aumentar de 29 para 36 o número de latinos na Câmara.

Candidatos como Catherine Cortez-Masto, Loretta Sánchez, Darren Soto e Adriano Espaillat também buscam fazer história no Congresso federal.

Cortez-Masto, que durante oito anos foi a procurador-geral de Nevada, e Sánchez, atual representante na Câmara, poderiam se transformar nas primeiras latinas a chegar ao Senado federal, que graças a sua presença poderia cair nas mãos democratas, a outra grande disputa que será definida esta terça-feira.

Os também democratas Soto e Espaillat querem estrear como o primeiro porto-riquenho pela Flórida e o primeiro dominicano por Nova York, respectivamente, na Câmara dos Representantes.

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