Maconha, pena de morte e impostos, os outros temas que serão votados nos EUA

Albert Traver

Washington, 7 nov (EFE).- Todo o mundo observa a disputa à Casa Branca entre o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, mas os americanos também estão chamados a votar na terça-feira em outras 154 consultas em 35 estados sobre assuntos como maconha, pena de morte, salário mínimo e impostos.

Califórnia, Arizona, Massachusetts, Nevada e Maine votarão pela legalização (ou não) da maconha como uso recreativo, uma proposta muito controversa levando em conta que os dois primeiros compartilham fronteira com o México.

A maconha já é legal no Oregon, Washington, Alasca e Colorado, além de no Distrito de Columbia, e nas eleições desta terça-feira os cidadãos também decidirão sobre seu uso medicinal na Flórida, Arkansas, Montana e Dakota do Norte.

A Califórnia, que com 17 é o estado que mais propostas cidadãs apresenta, também é protagonista junto a Nebraska de outra das consultas mais polêmicas: acabar com a pena de morte.

Os dois Estados poderiam se unir assim à lista de 19, dos 50 que compõem a união, nos quais já está abolida.

Com 740 presos, a Califórnia tem o corredor da morte mais populoso do país e seus cidadãos votarão em duas propostas antagônicas das quais prevalecerá a que mais apoio obtiver. Uma pede a abolição da pena capital e a outra a acelerar as execuções.

Os californianos também votarão na consulta em que mais se gastou com publicidade no país: o preço dos remédios.

Os eleitores poderão decidir se o estado deve negociar com as companhias farmacêuticas os preços dos remédios com receita (uma verba à qual em 2015 foram destinados US$ 3,8 bilhões) que não sejam superiores aos pagos pelo Departamento de Veteranos dos EUA, 25% mais baratos em média.

Dos US$ 115 milhões investidos na campanha, 109 foram colocados pelas farmacêuticas contrárias à medida.

O Colorado, com nove, é outro dos estados que mais propostas apresenta, duas delas muito controversas.

Por um lado, os eleitores estão chamados a aprovar o ColoradoCare, um sistema de assistência à saúde universal sem precedentes no país e que tem o apoio do senador progressista Bernie Sanders. Pelo outro, uma proposta que prevê legalizar a morte assistida sob determinadas circunstâncias, como já ocorre na Califórnia, Oregon, Montana, Washington e Vermont.

Em Nova Jersey, por outro lado, será levada às urnas a construção de dois cassinos que suporia o fim do monopólio neste campo de Atlantic City. Estados vizinhos como Massachusetts e Rhode Island também decidirão se será aceita a construção de novos cassinos.

Há sete anos, o salário mínimo nos EUA fixado pelo Congresso é de US$ 7,25 a hora. É por isso que Colorado, Maine e Arizona votarão pelo aumento do mesmo para US$ 12 por hora e o estado de Washington a US$ 13,50.

Também há vários estados que votarão por aumentos no imposto ao tabaco: Califórnia US$ 2 por maço de cigarros, Dakota do Norte US$ 1,76 e US$ 1,75 no Colorado, enquanto no Missouri competem duas propostas de US$ 0,23 e 0,60 centavos. Mesmo que os aumentos sejam aprovados, ficam longe dos US$ 14 que vale o maço de cigarros em Nova York.

Conhecida como Meca da indústria pornográfica, a Califórnia leva às urnas uma proposta que pretende impor o uso do preservativo nos filmes eróticos. Se for aprovado, a indústria ameaça fazer as malas e se mudar para Flórida.

O estado de Washington pode passar para a história por um imposto sem precedentes nos EUA.: seus cidadãos votarão em um encargo para as emissões de dióxido de carbono, uma medida inspirada na vizinha Colúmbia Britânica (Canadá) que a implementou em 2008.

Em Massachusetts, os governantes pretendem proibir que os animais de criação vivam em condições de "confinamento" e no Colorado, dentro de seu pacote de medidas progressistas, será votada pela abolição de uma vez por todas à "escravidão" ou "servidão involuntária", que hoje em dia ainda contempla sua Constituição para os presos.

Além das 154 propostas estaduais, os cidadãos de Washington, a capital dos EUA, querem dar sinal verde à redação de uma Constituição para o Distrito de Columbia como primeiro passo em seu propósito de se constituir no estado número 51, algo que eventualmente deveria ser validado pelo Congresso.

Finalmente, além das consultas estaduais e da de Washington, há dezenas convocadas em nível local. Uma das mais controversas é a que votarão diversas cidades da Califórnia como São Francisco para fixar um imposto às bebidas doces.

A indústria dos refrigerantes investiu US$ 30 milhões a favor do "não" nessas consultas.

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