Nostálgico, Obama lembra própria campanha em seu último comício para Hillary

Lucía Leal.

Washington, 7 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu um toque nostálgico nesta segunda-feira a seu último comício sozinho a favor da candidata democrata, Hillary Clinton, ao contar uma lembrança sobre o início de sua própria campanha presidencial em 2007, quando poucos apostavam nele.

"Este é meu último grande ato de campanha. Tenho um mais tarde na Filadélfia, mas Michelle (Obama) vai estar lá, portanto ninguém vai me dar atenção", brincou o presidente em um comício em Durham, no estado-chave de New Hampshire.

Obama tinha previsto participar três horas depois no ato oficial de encerramento de campanha da candidata democrata, junto a sua esposa Michelle, o ex-presidente Bill Clinton e mais convidados.

Mas o de New Hampshire foi o último ato de campanha sozinho de sua presidência, algo que, segundo reconheceu horas antes em outro ato em Michigan, lhe deixava "um pouco sentimental" pelas lembranças de suas próprias duas campanhas presidenciais.

Talvez por isso tenha saído do roteiro habitual para seus comícios a favor de Hillary e olhou para trás, quando era um jovem senador pouco conhecido em nível nacional e poucos apostavam nele frente à maquinaria eleitoral da atual candidata democrata, a quem acabou derrotando nas primárias.

"Quando concorri pela presidência pela primeira vez, não havia muita gente que me desse uma oportunidade", afirmou Obama.

Era difícil conseguir apoios de figuras públicas quando poucos no partido lhe levavam a sério, e Obama tinha como objetivo ganhar as primárias da Carolina do Sul, o primeiro dos estados a votar que tinha uma população negra notável.

Mas para isso necessitava de algum respaldo no estado, e durante um jantar em 2007 o pediu a uma congressista estadual, Anne Parks, que lhe respondeu: "Eu lhe apoiarei se visitar minha cidade, Greenwood".

O então desesperado candidato disse que sim, e um mês depois voou ao estado sulista sem lembrar-se da promessa até que um de seus assessores se lembrou, e após encharcar-se na chuva teve que viajar em automóvel "durante uma hora e meia" até chegar à insossa cidade de Greenwood, segundo relatou.

No ato organizado pela congressista lhe esperavam "umas 20 pessoas" que também tinham se molhado pela chuva, e Obama tinha poucas expectativas do encontro até que, do fundo da sala, escutou uma voz que gritava: "Estamos entusiasmados! Estamos preparados!".

"Não sabia o que estava acontecendo. Pensei: esta gente está louca", brincou Obama, que depois se deu conta que o grito, repetido como um eco por todos os presentes ao comício, vinha de uma mulher negra sentada ao fundo do sala.

"Estava sentada como se estivesse na igreja, tinha um grande chapéu", detalhou Obama sobre a mulher, que era a líder de uma associação local de negros chamada Edith Childs.

Muitos em Greenwood a conheciam, e estavam acostumados a repetir o cântico que ela soltou aquela manhã para encorajar os presentes, e que acabaria convertendo-se em um slogan das duas campanhas presidenciais de Obama.

"Após um momento, me dei conta que estava entusiasmado, estava preparado para o que fosse", lembrou o presidente, que garantiu que esse lema lhe motivou "o resto do dia e da campanha".

"E isso lhes demonstra que uma só voz pode mudar um sala, e se pode mudar uma sala, pode mudar uma cidade, um estado, um país, o mundo", acrescentou.

Com essa história, Obama retomou a mensagem de otimismo e esperança que marcou sua campanha presidencial em 2008 - e que ficou esquecida nas atuais eleições, marcadas por duros ataques pessoais - com o objetivo de conseguir akguns votos mais para aquela que há oito anos foi sua grande rival.

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