Pensilvânia, o estado-chave mais inesperado e cobiçado dos EUA

Alfonso Fernández.

Washington, 7 nov (EFE).- Há apenas quatro anos, a Pensilvânia era considerada um dos estados seguros dos democratas, parte do cinto de segurança frente aos republicanos, mas a irrupção de Donald Trump a transformou em campo de batalha eleitoral.

A Pensilvânia votou nos democratas nas últimas seis eleições presidenciais americanas e Hillary Clinton, a candidata democrata, ainda conta com vantagem a julgar pelas pesquisas, que a situam com dois pontos e meio na frente de Trump.

No entanto, o republicano conseguiu aglutinar o voto rural e das áreas siderúrgicas e mineradores do oeste do estado, ao redor de Pittsburgh, o que permitiu aumentar as possibilidades de uma vitória republicana, impensável até pouco tempo atrás.

O fato de a Pensilvânia ser um dos estados do leste dos Estados Unidos que fornece mais votos no colégio eleitoral (20), só superados pelos 29 de Nova York e Flórida, acrescenta influência a quem for o vencedor.

Por isso, não é casualidade que Hillary tenha escolhido a Filadélfia, maior cidade do estado, como palco nesta segunda-feira de seu grande ato de encerramento de campanha, no qual estará acompanhada pelos pesos pesados do partido democrata como o presidente Barack Obama e a primeira- dama, Michelle, assim como seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.

Durante toda a campanha foi uma das paradas recorrentes de Hillary, consciente da importância vital de manter o estado pintado com o azul democrata no mapa eleitoral.

Trump também viajou de maneira reiterada à Pensilvânia, e os percursos pelas estradas de seu interior revelam a paixão que o republicano desperta e a invisibilidade de Hillary.

No entanto, o magnata nova-iorquino sofre resistência na Filadélfia, que aglutina quase um milhão de votos, e nos subúrbios que rodeiam às grandes cidades.

Foi, precisamente, para um deles, Berwyn, que enviou sua esposa, Melania Trump, na quinta-feira passada para tentar suavizar sua imagem entre as mulheres brancas urbanas, um segmento demográfico que parece lhe dar as costas nas pesquisas.

Uma recente pesquisa da Quinnipac University cifrava em 20 pontos a vantagem de Hillary sobre Trump entre as mulheres.

Dotty Lisa, uma professora aposentada de 61 anos, que caminhou 45 minutos junto a uma amiga para ver Melania Trump em Berwyn, nos arredores da Filadélfia, expressou sua divergência perante esta interpretação, mas reconheceu que "é difícil para um republicano ganhar na Pensilvânia".

"Os veículos de comunicação estão do lado de Hillary. Não acredito 100% nas pesquisas, são só uma estimativa", afirmou Lisa à Agência Efe.

No mesmo ato, Mickie Dibella, também de 61 anos, sustentava um cartaz com a frase "Mulheres por Trump": "Donald Trump não é um republicano nem um democrata. Está com o povo. E isso é o que queremos", ressaltou.

Precisamente, Trump não se cansou de lembrar seus anos universitários como estudante da Wharton School of Business, pertencente à Universidade da Pensilvânia na Filadélfia e o fato de que a maioria de seus filhos cursaram seus estudos universitários no estado.

Durante o fim de semana, o candidato republicano teve dois atos na Pensilvânia, em Hershey (perto da capital do estado, Harrisburg) e em Moons Township (nos arredores de Pittsburgh), e na última jornada de hoje inseriu um novo comício não antecipado para esta tarde em Scranton, no nordeste do estado.

Esta última cidade tem uma clara simbologia política, já que é onde passou sua infância o atual vice-presidente democrata, Joseph Biden, que também embarcou em um tour pelo estado nestes dois últimos dias.

Em Scranton, Biden disse de forma bem clara: "Acredito que, em grande medida, o que acontecer na Pensilvânia determinará o futuro de nosso país".

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