Porto Rico vai às urnas com mudança de governo no horizonte

San Juan, 7 nov (EFE).- Porto Rico vai às urnas nesta terça-feira para uma eleição geral que indica, segundo as pesquisas, uma mudança de governo com a vitória para o partido que favorece a anexação dos Estados Unidos e a irrupção de independentes.

Os candidatos aproveitam o último dia antes do pleito para enviar mensagens de campanha as quase 2,9 milhões de eleitores aptos a votar. A legislação não permite a realização de atos públicos e comícios na véspera da votação.

A última pesquisa sobre as eleições foi divulgada no domingo pelo principal jornal de Porto Rico. Defensor da anexação, Ricardo Rosselló Nevares, do Partido Novo Progressista (PNP), de 37 anos e filho do ex-governador da ilha Pedro Rosselló González (1993-200), obteria 41% dos votos. David Bernier, do Partido Popular Democrático (PPD), que quer manter o status de Estado Livre Associado aos EUA, tem 33% das intenções do eleitorado.

Os quatro candidatos restantes estão muito distantes dos líderes dos partidos que controlaram a política local durante as últimas décadas, apesar do destaque para dois independentes. Alexandra Lúgado e Manuel Cidre surgem no panorama político com 11% e 7% dos votos, segundo a pesquisa, respectivamente.

A campanha em Porto Rico, que não se restringe a um período determinado, começou há meses e foi marcada pela vitória de Rosselló nas primárias do partido contra o experiente Pedro Pierluisi.

Rosselló, um cientista que os críticos acusam de não possuir experiência em cargos públicos e de ter sido elevado à condição de candidato pelo pai, iniciou então uma campanha com propostas para sair da crise econômica baseadas na mensagem que a solução dos problemas passa por um Porto Rico como um novo estado dos EUA.

O programa do líder do PNP inclui medidas como a redução da burocracia governamental, a criação de uma economia produtiva e a transformação do sistema educacional, mas, a primeira medida tomada por ele se eleito é iniciar o processo para a anexação.

O PPD e Bernier, que apostam em um Plano Estratégico para Porto Rico dando prioridade ao empresariado local, querem que a ilha siga unida aos EUA como Estado Livre Associado, o que condiciona o território caribenho ao Congresso americano, que controla fronteiras, defesa e relações diplomáticas.

O bipartidarismo instalado há décadas na ilha pode ser afetado, se confirmadas as pesquisas, pela aparição de Lúgaro e Cidre. Bernier, tentando roubar os votos dos independentes, pediu durante a última semana que aqueles que não querem a volta do PNP ao poder que apostem no voto útil.

Se confirmada a vitória de Rosselló, o próximo governador de Porto Rico estará de mãos amarradas, já que o Congresso em Washington impôs ao governo local uma Junta de Supervisão Fiscal, entidade encarregada de dar o sinal verde a qualquer decisão relacionada com as finanças públicas.

O governo de Porto Rico incorreu durante o ano passado, pela primeira vez na história, na falta de pagamento de uma dívida de US$ 60 milhões sob o argumento que não havia dinheiro para quitar os valores com os credores e, ao mesmo tempo, oferecer serviços básicos à população.

O Congresso americano, diante do caos que se avizinha, sancionou uma lei que temporariamente "congela" o pagamento aos credores, embora como contrapartida o próximo governador terá que conviver com uma junta à qual terá que pedir permissão para praticamente realizar qualquer decisão de natureza financeira.

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