Rússia nega qualquer envolvimento em complô golpista em Montenegro

(Corrige 3º parágrafo).

Moscou, 7 nov (EFE).- O governo da Rússia negou nesta segunda-feira que tenha qualquer envolvimento no complô para derrubar e assassinar o primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, do qual hoje foram acusados nacionalistas russos.

"Nós negamos categoricamente a possibilidade de um envolvimento em nível oficial em qualquer tentativa de organizar atos delitivos", declarou Dmitri Peskov, o porta-voz do Kremlin.

Peskov também negou que as autoridades montenegrinas tenham se dirigido oficialmente à Rússia no âmbito das investigações que estão em andamento no país balcânico.

A Procuradoria de Montenegro acusou um grupo de nacionalistas russos de estarem por trás de um plano para derrubar e assassinar Djukanovic, e adiantou que já estão sendo preparadas as acusações formais.

Segundo o procurador Milivoje Katnic, citado pelo jornal "Vijesti", esse plano de ataque seria executado no último dia 16, durante a jornada eleitoral, com o objetivo "de impedir a entrada de Montenegro na Otan".

Katnic reconheceu que não existem provas de que o Estado russo estivesse envolvido na suposta tentativa de golpe, que acabou sendo frustrada após a detenção de 20 pessoas no mesmo dia das eleições.

Durante toda a campanha eleitoral, Djukanovic acusou o partido opositor Frente Democrática (DF), o segundo mais votado no pleito, de receber financiamento e instruções de Moscou.

De fato, o líder do DF, Andrija Mandic, visitou a Rússia em fevereiro, quando foi recebido pelo presidente da Duma, a Câmara dos Deputados da Rússia, Sergei Narishkin, que defendeu que Montenegro deveria decidir sobre sua entrada na Otan através de um referendo.

Narishkin lembrou que a Otan cometeu "crimes de guerra" no território de Montenegro e que as aspirações dos dirigentes desse país e de parte de seus cidadãos de fazer parte da aliança militar do Atlântico Norte provocaram "uma grave divisão na sociedade montenegrina".

Por sua vez, o opositor montenegrino afirmou que sua nação "deve muito à Rússia", a quem chamou de "país irmão".

"Há 300 anos Montenegro não teria sido criada e não teria sobrevivido durante o Império Otomano se não fosse pela Rússia", afirmou Mandic.

Montenegro apoiou as sanções ocidentais contra a Rússia, o que fez com que o comércio entre ambos caísse em 90%, segundo o governo russo.

A Rússia tem muitos interesses nesse país banhado pelo Mar Mediterrâneo, como é o caso da presença de companhias energéticas, como Lukoil e NOVATEK, enquanto um de cada cinco turistas que visitam Montenegro vem da Rússia.

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