Trump procura a chave da Casa Branca no coração do Meio Oeste

Jairo Mejía.

Washington, 7 nov (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta "na última hora" conseguir uma virada em estados democratas do Meio Oeste, aproveitando sua boa amparada entre os brancos da classe operária e perante a possibilidade que o voto latino na Flórida e em Nevada lhe feche o caminho mais direto à Casa Branca.

O Meio Oeste, uma região agrícola e manufatureira, ainda majoritariamente branca (76%), é a última esperança de Trump para conquistar o único setor da população que parece estar com ele: os homens de raça branca e formação média ou baixa.

Trump fecha hoje sua campanha em Grand Rapids, no estado de Michigan, um reduto democrata no qual a campanha do magnata imobiliário quer dar a volta para conquistar os 16 votos no colégio eleitoral do estado, que somados aos 18 de Ohio, os 11 de Indiana e os seis de Iowa poderiam colocar o republicano acima dos 270 votos necessários para ser presidente.

A parada de Grand Rapids foi acrescentada na última hora, uma prova que os estrategistas de campanha de Trump veem como única via possível roubar o coração do Meio Oeste branco e sobrepor-se à possibilidade de perder Flórida, Carolina do Norte e Nevada.

Esses três estados poderiam dar as costas a Trump, a julgar pela participação recorde dos latinos na votação antecipada, sintoma que Hillary Clinton e a maquinaria de campanha democrata conseguiram mobilizar seus apoios de maneira mais efetiva.

Para Trump estes últimos três dias de campanha foram um tour incessante pelo Meio Oeste (Pensilvânia, Minnesota, Michigan, Ohio, Michigan outra vez e de novo Pensilvânia) para instigar as frustrações, medos e raiva dos brancos, que viram suas fábricas fecharem, seus salários caírem e a imigração começar a chegar além dos estados do sul.

Segundo dados do Censo, nos últimos 15 anos a região que viu a maior mudança demográfica em direção a uma maior diversidade foi o Meio Oeste, com Wisconsin, Iowa, Kansas, Nebraska e Dakota do Norte e do Sul à frente.

"Esta é nossa última oportunidade, é nosso momento", afirmou Trump perante uma multidão ontem à noite em Sterling Heights (Michigan), algo que tinha dito poucas horas antes em Minneapolis (Minnesota) e em Sioux City (Iowa).

Essa afirmação oculta uma verdade inapelável: estes podem ser os últimos pleitos nos quais os brancos, os que mais se mobilizavam às urnas e o grupo-chave nas eleições, sejam suficientes para chegar à Casa Branca.

Os Estados Unidos são cada vez mais diversos, especialmente nas gerações que nos próximos quatro anos vão chegar à maioridade e que certamente não se conectarão com mensagens como as de Trump, que ressoa com maior força entre americanos brancos de meia idade, da América rural e branca.

Em Minnesota e Michigan, Trump, que quer abranger um espectro que não se limita a linhas ideológicas, ajustou seu discurso para assegurar ser "amigo dos sindicatos" ou ter propostas "muito similares a Bernie" Sanders, o senador independente que lutou pela candidatura presidencial do Partido Democrata em disputadas primárias contra Hillary Clinton.

"O que a campanha de Trump nos revelou é que muitos eleitores conservadores são agora mais nacionalistas e protecionistas do que pensávamos e não tão 'Reaganitas', que (como Ronald Reagan) defendem a livre empresa, baixos impostos, menos regulação e uma política externa forte", declarou à Agência Efe David Boaz, vice-presidente do conservador centro de estudos Cato.

Após a derrota eleitoral 2012, ressaltou Boaz, os republicanos se deram conta que deviam conectar-se melhor com jovens e latinos.

"Infelizmente, os eleitores (republicanos) foram para o lado absolutamente contrário", completou.

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