Congressista colombiana diz que paz com ELN será mais difícil do que com Farc

Cidade da Guatemala, 8 nov (EFE).- A congressista opositora colombiana María Fernanda Cabal, uma das defensoras do "não" no plebiscito, voltou a criticar nesta terça-feira a "chantagem" com a qual as Farc pretendem negociar a paz em seu país e advertiu que o diálogo será ainda "mais complicado" com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Será mais difícil do que com as Farc, porque são inclusive mais radicais", explicou ela em declarações à Agência Efe antes de participar na Guatemala do fórum "Sem igualdade não há diálogo", organizado pela Associação Empresarial para a Promoção da Liberdade e o Desenvolvimento Sustentável (ALDS).

O governo da Colômbia e o ELN tinham estipulado instalar em 27 de outubro em Quito uma mesa de negociação de paz, mas o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, adiou a viagem da equipe negociadora ao Equador à espera da libertação do ex-congressista Odín Sánchez Montes de Oca. O ELN condicionou a libertação do ex-congressista, sequestrado há seis meses, a que o governo colombiano indulte dois guerrilheiros.

A própria idiossincrasia do ELN, vinculado aos movimentos religiosos da Teologia da Libertação e ainda com grande capacidade para "mobilizar" setores da população, dificulta qualquer processo de paz. A congressista, uma das mais firmes defensoras do "não" no plebiscito de 2 de outubro no qual o acordo pactuado pelo presidente Santos e as Farc foi rejeitado, foi contundente ao falar do "processo extorsivo" que anistiava os crimes de guerra cometidos pela guerrilha.

"Espanha ou França não aceitariam um acordo como este em seu país", disse ela.

Durante a conferência, María Fernanda censurou o "pacto de elites" que o presidente pretendia aprovar e qualificou a atuação de Santos no processo de "arrogante".

A congressista lamentou o tratamento que o acordo dava às vítimas das Farc e lembrou que algumas das regiões mais pobres do país e que mais sofreram o conflito disseram "não" à consulta. Em sua opinião, a prioridade seria "assinar um novo contrato social" com condições "mínimas não negociáveis" que não permitam a "impunidade de crimes contra a humanidade".

Apesar da oposição ao acordo, ela admitiu ser "positiva" a decisão de Santos de convocar os contrários ao pacto para conseguir um consenso e desbloquear o processo com a guerrilha mais antiga do continente americano.

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