Divisão e incredulidade marcam arredores da Casa Branca após eleições

Cristina García Casado.

Washington, 9 nov (EFE).- Na Avenida Pensilvânia, em Washington D.C., não houve rastros das comemorações das eleições na quarta-feira, e sim um ambiente de divisão e incredulidade, a imagem deixada nos Estados Unidos pela vitória de Donald Trump.

Ficaram para trás o entusiasmo e a esperança que reuniram neste mesmo lugar milhares de pessoas em 2008 para festejar a vitória do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, um jovem e esperançoso Barack Obama.

Um dia após o resultado das eleições americanas, em frente ao número 1600 da Avenida Pensilvânia, só era possível ver pequenos grupos de apoiadores e opositores do presidente eleito, que discutiam constantemente.

Houve pelo menos uma detenção, segundo constatou a Agência Efe, em meio ao forte esquema de segurança e um ambiente no qual chegava a ser difícil distinguir as pessoas após as 3h da madrugada.

Nicholas Elliot, estudante da Universidade de Georgetown, em Houston, no Texas, pediu à Efe para ser entrevistado longe das demais pessoas por temer que outras o cercassem.

"Não me surpreende que não haja comemoração aqui, isto é Washington D.C., além disso, com o clima que houve na campanha, a divisão do país, certamente não haveria uma celebração", disse ele em referência à tradição do Partido Democrata da capital dos Estados Unidos, onde a candidata da legenda, Hillary Clinton, venceu hoje por 93%, sua porcentagem mais alta em todo o país.

O jovem de 19 anos lembrou algumas promessas de Donald Trump e disse querer que a primeira a ser cumprida seja a construção do muro na fronteira com o México para conter a imigração irregular.

Os simpatizantes de Trump, como ele, podem ser identificados com o já icônico boné vermelho ou branco com o lema da campanha republicana, "Make America Great Again" ("Tornar os EUA grandiosos novamente").

Os opositores de Trump são reconhecidos pelos cartazes críticos que carregam, como um grupo de simpatizantes do senador Bernie Sanders, que concorreu pela candidatura democrata com Hillary Clinton nas primárias.

"Estamos decepcionados, mas não surpresos. Trump convenceu muitas pessoas apelando para o racismo e o sexismo, além da rejeição ao sistema. E esse último fator é algo que também foi feito por Sanders, por isso ambos foram revolucionários. Dá medo a Casa Branca e o Congresso serem republicanos. Acho que as pessoas não sabem o que fazer. Não nos sentimos seguros", contou a jovem Ma'at Sargeant.

Os rostos dos jovens Ryan Barto e Sam Wolf, que carregavam um solitário cartaz azul escrito "Hillary" quando já eram 4h da manhã, são um exemplo da desilusão e da incredulidade de boa parte do país perante a vitória de Donald Trump.

"Estamos deprimidos. O progresso de décadas, de 100 anos, veio abaixo", desabafou Ryan.

Atrás deles, na Casa Branca, o presidente do "hope" e do "yes, we can" vê o legado de seus oito anos no poder ir para as mãos de um líder e um Congresso republicanos cuja primeira promessa é derrubá-lo.

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