Incerteza atinge cidadãos da fronteira entre EUA e México após eleição de Trump

Em San Diego

A região fronteiriça dos Estados Unidos com o México conviveu nesta quarta-feira com a incerteza das consequências da eleição como presidente do republicano Donald Trump, e se ele finalmente cumprirá suas promessas eleitorais de construir um muro ou deportar milhares de imigrantes ilegais.

Precisamente hoje, no dia em que se completam 27 anos da queda do Muro de Berlim, Trump inicia seu caminho como futuro presidente e sua promessa de separar os dois países segue gerando preocupação e controvérsia.

Christian Ramírez, diretor da Coalizão de Comunidades Fronteiriças, que agrupa organizações da Califórnia ao Texas, pediu hoje à futura administração Trump que deixar de lado a retórica e "governe de maneira sensata" um país que se mostrou polarizado.

O ativista qualificou de "fora da realidade" o pensamento de que poderia concretizar-se a ameaça de construir um muro "desnecessário" na fronteira.

"É completamente insensato pensar que, em um mundo globalizado onde a troca comercial já é parte da vida do século XXI, se vão construir muros, e muito menos que um país vizinho tenha a obrigação de construí-lo", disse Ramírez à Agência Efe.

Por sua parte, Felipe García, vice-presidente executivo do Escritório de Turismo de Tucson (Arizona), relatou que neste estado fronteiriço se vive um ambiente de temor e especulação pelo que possa acontecer no futuro.

"Alguns empresários falam sobre o que acontecerá com o dólar, os trâmites migratórios, os vistos de turistas, existe uma incerteza muito grande sobre o que vai acontecer. Muitas empresas em Sonora (México) têm muita relação com o Arizona e têm medo de perder trabalhos", comentou García à Efe.

A queda do valor do peso mexicano preocupa no lado americano da fronteira, pois os turistas que cruzam para o Arizona deixam um rastro econômico de US$ 2,3 bilhões ao ano.

"O mexicano que entra no Arizona ajuda a pagar serviços que todos necessitamos nos Estados Unidos, muitos políticos não se dão conta do impacto econômico que há nas fronteiras", ressaltou García.

Ramírez, por sua vez, assegurou que, caso o magnata pretenda seguir adiante com esta proposta, haveria uma mobilização para conter este tipo de iniciativa por todas as vias legais.

Embora em teoria o republicano teria o caminho mais tranquilo devido à maioria partidária no Congresso, ativistas concordam que seria o orçamento que lhe impediria de construir o muro, pois consideram muito difícil que o México ceda e realmente cubra essa despesa.

A retórica anti-imigração representou o início da plataforma eleitoral de Trump, que, vendo seu sucesso entre o eleitorado branco, a manteve até o final da campanha, com resultados positivos.

Pedro Ríos, diretor do Comitê de Amigos Americanos em San Diego, atribuiu o agressivo discurso de Trump a um desconhecimento generalizado das relações bilaterais entre México e EUA e das contribuições feitas pelas comunidades migrantes.

"Tristemente muita gente desconhece o que vem sendo a relação entre ambos países e se deixam ser manipulados por um homem que esteve no negócio da televisão por muitos anos e sabe como manipular as audiências", disse à Efe.

Paola Posada, que vive em Mexicali (México), na fronteira com a Califórnia, destacou que, com este resultado eleitoral, muitos dos residentes da fronteira sentem medo.

Em outro estado fronteiriço, a retórica incendiária de Trump recebeu hoje resposta em pichações na Universidade do Novo México nas quais se podia ler, em alemão, "Sieg hail Trump", junto com o desenho de suásticas.

Junto à tradicional saudação nazista, restos de fezes apareceram em paredes de vários edifícios do centro educativo do Novo México, que abriga um grande número de estudantes de origem latina.
 

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