Residência na Malásia é investigada por trancar deficientes em cubículos

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 9 nov (EFE).- Todas as noites uma residência na Malásia tranca dez pessoas com deficiência mental em cubículos em condições que foram criticadas pelas autoridades e agora estão sendo investigadas, apesar de nada ter sido feito até agora para mudar isso.

Os moradores, com idades entre 20 e 49 anos, dormem em espaços de três metros de comprimento por um de largura e com portas de metal gradeadas na cidade de Batu Gajah, no estado de Perak, no noroeste do país.

No dia 24 de outubro, Vivien, uma universitária de 22 anos, estava visitando uma familiar no local quando, por acaso, encontrou o espaço, fez várias fotos e postou nas redes sociais.

A jovem começou a receber várias demonstrações de apoio no Facebook, mas também críticas e até insultos e acabou decidindo fechar a conta.

"Tinha muita gente vendo as minhas fotos. Algumas pessoas me atacaram pessoalmente", contou à Agência Efe Vivien, que prefere não revelar seu sobrenome.

A Batu Gajah Disabled Children's Welfare Home acolhe 47 internos com diferentes tipos de comprometimentos. Do total, dez têm patologias mentais mais graves. São eles os que passam as noites nos cubículos, uma espécie de "chiqueirinho de concreto".

O diretor da casa, R. Sivalingam, explicou que os internos com transtornos graves podem se movimentar livremente durante o dia sempre com supervisão, mas passam a noite em "cubículos especiais" para evitar que firam a si mesmos ou a outros colegas.

Sivalingam afirmou que antigamente estes pacientes eram amarrados em suas camas, mas em 2006 foram construídas as gaiolas, abertas na parte superior, com a intenção de melhorar as condições.

"Fizemos o que deu dentro das nossas possibilidades, apesar de as pessoas terem entendido como um ato cruel. Estamos abertos a propostas e contribuições financeiras que nos ajudem a melhorar as instalações", disse à Efe o diretor, especificando que de 30% a 40% da renda da instituição vem do Estado.

Ao todo, 12 funcionários trabalham na casa, mas apenas seis em tempo integral, com salário mensal mínimo de 500 ringgit (R$ 380) e pouca formação.

Sivalingam disse que tem planos para eliminar os cubículos quando tiver verba suficiente, mas desconhece se existe alguma legislação que regule as condições dos dormitórios.

Noor Hanizah Zulkafli, principal assistente do diretor do Departamento de Bem-Estar Social, informou que o centro conta com a documentação necessária e que as gaiolas servem para evitar comportamentos agressivos, segundo o jornal "The Star".

No entanto, a própria ministra para a Mulher, Família e Desenvolvimento Comunitário, Rohani Abdul Karim, afirmou depois que a residência não estava seguindo o "procedimento padrão" ao trancar deficientes mentais em espaços minúsculos.

"Mesmo que eles estejam incapacitados e mesmo que tenham um comportamento violento, esse não é o caminho e isso definitivamente não é nosso procedimento padrão", criticou a ministra, de acordo com o portal "Malaymail Online".

Além disso, a ministra admitiu que sete mil assistentes sociais no Ministério não são suficientes para vigiar as condições de 387 mil deficientes da Malásia.

Por sua vez, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) expressou em comunicado sua "preocupação" com o Batu Gajah Disabled Children's Welfare Home.

"Depois de sermos notificados via plataformas de redes sociais, trouxemos o caso dos supostos abusos perante as autoridades malaias para que averiguem", destacou a nota.

O Departamento de Bem-Estar Social, vinculado ao Ministério para a Mulher, Família e Desenvolvimento Comunitário, se comprometeu a enviar especialistas para fazer um relatório sobre local antes de tomar alguma medida. Responsáveis do Departamento não responderam os e-mails enviados pela Agência Efe para saber o desenvolvimento do caso.

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