Apenas 18% dos latinos votaram em Trump, segundo representantes da comunidade

Washington, 10 nov (EFE).- A Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos e Designados (Naleo) afirmou nesta quinta-feira que só 18% dos latinos com direito a voto nas eleições presidenciais dos Estados Unidos votaram no candidato republicano Donald Trump.

A Naleo ofereceu estes dados em entrevista coletiva em Washington, acompanhada por uma mesa de compromisso cívico nacional latino, para analisar o resultado dos pleito gerais de terça-feira, nos quais Trump saiu com a vitória.

A presidente e diretora-executiva do Conselho Nacional da Raça (NCRL), Janet Murguía, ressaltou que só 18% dos hispânicos que votaram nas eleições optou por Trump, e desafiou assim o baile de números em apoio aos republicanos que tinha sido atribuído a esta comunidade, quando chegaram a falar de até 30% de apoio.

"Discordamos de forma contundente dos relatórios das pesquisas que sugerem que o apoio a Trump dentro da comunidade latina superou o de Mitt Romney em 2012. Confiamos nas pesquisas da Latino Decisions que garantem que Trump recebeu só 18% do voto hispânico, o que é um recorde negativo para um candidato republicano à presidência", garantiu Murguía.

No entanto, o presidente nacional da Liga de Cidadãos Latino-Americanos Unidos (Lulac), Roger Rocha, reconheceu que uma parte significativa dos latinos ajudou a eleger o candidato republicano como presidente, e acrescentou: "Não importa como olhemos, os latinos contribuímos na vitória eleitoral de Trump".

Por sua parte, a presidente e diretora-executiva da organização Voto Latino, María Teresa Kumar, destacou que no distrito de Orange, na Flórida, a participação de latinos que votava pela primeira vez cresceu 29%.

Também destacou que no Texas a candidata democrata, Hillary Clinton, perdeu por nove pontos, enquanto nas eleições de 2012 os democratas foram derrotados por 16 pontos.

Kumar ressaltou ainda que na Flórida a comunidade cubana, que cresceu em número de eleitores de 35% para 47% desde 2012, pela primeira vez em 30 anos aumentou seu voto democrata nas presidenciais, embora o voto republicano tenha se mantido para eleger Marco Rubio para o Senado.

A presidente da Voto Latino também felicitou os hispânicos americanos pelo recorde de participação em eleições, já que, segundo afirmou, 13 milhões exerceram seu direito no pleito de terça-feira.

No entanto, segundo a Naleo, 27,3 milhões têm direito a voto e só 16,2 milhões se registraram para isso este ano, enquanto dados do Pew Research Center assinalam que 11,2 milhões votaram em 2012, o que representa que a porcentagem de participação de eleitores latinos se manteve em 48%.

Por sua parte, o diretor-executivo da Naleo, Arturo Vargas, salientou a importância do recorde de participação latina que esperam alcançar em 2020, além de ressaltar a importância de atrair à participação eleitoral dois milhões de jovens latinos que chegarão à maioridade nos próximos dois anos.

O diretor-executivo do grupo Mi Família Vota, Ben Monterroso, comentou que, apesar da "decepção eleitoral" que este resultado representou para os latinos, a comunidade tem que concentrar-se agora na reforma migratória e na sanitária e nas medidas educativas.

Segundo dados da Voto Latino, 80% dos eleitores americanos estão de acordo com a necessidade de uma reforma migratória e até 60% dos eleitores de Trump também a apoiam.

Por outro lado, os membros da mesa de compromisso cívico nacional latino celebraram a eleição da primeira senadora federal latina, Catherine Cortez Masto, em Nevada, e o aumento no número de membros hispânicos na Câmara dos Representantes.

Este número inclui o primeiro representante de Porto Rico eleito por um distrito da Flórida, Darren Soto, e o primeiro representante dominicano, Adriano Espaillat, de Nova York.

Além disso, se mostraram satisfeitos pela derrota do xerife do condado de Maricopa, no Arizona, Joe Arpaio, e, portanto, de suas políticas de perfil racial.

Os diferentes representantes latinos também instaram Trump a abandonar a retórica insultante contra sua comunidade e a começar uma presidência levando em conta a população hispânica e lhes convidando para uma reunião para tratar seus temas de interesse.

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