Após vitória, Trump é recebido com frieza e protestos em Washington

Washington, 10 nov (EFE).- A capital dos Estados Unidos, Washington, recebeu com frieza e protestos nesta quinta-feira o presidente eleito, Donald Trump, na primeira visita à residência que passará a ocupar a partir do dia 20 de janeiro: o número 1600 da Avenida Pensilvânia, a Casa Branca.

Dezenas de pessoas protestaram em frente à mansão presidencial por volta das 11h locais (14h em Brasília), horário de início da visita de Trump após a vitória nas eleições ao atual presidente, Barack Obama.

Durante mais de meia hora foi instalado o habitual cordão de isolamento no trecho da Avenida Pensilvânia do lado norte da Casa Branca, local de concentração dos protestos em Washington, por isso opositores de Trump, alguns simpatizantes, turistas e curiosos se reuniram na Lafayette Square.

Dois jovens chamaram a atenção de todas as câmeras com um cartaz escrito "Que se f... Trump. Não é meu presidente", diante do cordão de segurança e dos agentes do Serviço Secreto.

"Não me representa. Incentivou a violência contra mim. Vindo para cá, um cara me disse para ir embora do país. Este país é a única casa que conheço. Sou muçulmana, mulher, imigrante. Donald Trump atacou todas as minhas identidades", disse a ativista Mobashra Tazamal, de 27 anos, que emigrou do Paquistão aos EUA com cinco.

Ao seu lado, Kristina Bogos, explicou que há vários grupos diferentes de manifestantes e algumas pessoas que se aproximaram para protestar de maneira espontânea, nada organizado. Ela perdeu aula na faculdade para expressar "desprezo" pelo presidente eleito, cuja vitória considera "uma tragédia" para o país e para o mundo.

"Eu estou aqui como americana branca em solidariedade aos que não são. Eu não estou em perigo, eles sim. Trump deixou claro que se não for branco, não se importa. É uma bomba-relógio", argumentou.

A poucos passos, um eleitor de Trump discutia com duas senhoras que diziam estar consternadas por conta da vitória do magnata imobiliário. Segundo Sarah, a presidência de Trump é algo "terrível" não só para os Estados Unidos, mas para todo o mundo.

"Não é só pelo que ele disse, ele fez coisas terríveis. Estou com o coração partido, não posso acreditar ainda, estou muito zangada. É como se alguém da família tivesse morrido", desabafou, enquanto abraçava Betty, uma amiga de infância.

"Eu sou mais moderada, mas também me preocupa muito o tipo de juízes que Trump designará para a Suprema Corte, isso impactará em nossos filhos e netos", disse Betty.

Matthiew Heart, de 30 anos, tentou convencê-las a dar uma oportunidade ao novo presidente eleito.

"Muito do medo sobre Donald Trump foi incentivado por agentes políticos de Hillary Clinton e não estão certos", analisou o jovem, que foi delegado na Convenção Nacional Republicana que oficializou o magnata como candidato presidencial.

Quando o cordão de segurança foi suspenso, a jovem Marie Bocanegra correu para o centro da Avenida.

"Apoio Donald Trump porque ele vai frear a imigração ilegal. Meu pai veio legalmente de Honduras há 30 anos, com muito esforço, e eu sou muito orgulhosa dele", explicou.

Na calçada da Casa Branca, outra jovem, Maureen Betz, erguia um cartaz de boas-vindas a Trump, mas com uma mensagem crítica: "Bem-vindo a Washington. Favor saber que abuso sexual é crime, de acordo com os estatutos locais e federais. Aproveite a estadia".

"Eu não o rejeito por republicano, e sim por seu comportamento. Quero que veja esta mensagem, o que ele faz é contra a lei. Agora ele é presidente, tem que dar exemplo", comentou, em referência às várias acusações de abuso sexual contra Trump nos últimos dias da campanha.

Também se manifestou sozinha Olivia Emerald, de 24 anos, que viajou 15 horas de ônibus de Maine para protestar na primeira visita do presidente eleito à Casa Branca.

"Estes não são meus Estados Unidos. Se tiver que fazer isto todos os dias durante os próximos quatro anos, vou fazer", justificou.

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