Milhares protestam nos EUA para gritar que Trump não é seu presidente

Cristina García Casado.

Washington, 10 nov (EFE).- Milhares de americanos estão protestando nas ruas e nas redes sociais desde quarta-feira para deixar claro que não aceitam a vitória de Donald Trump e que nem é nem será seu presidente.

As grandes cidades do país, as universidades e os jovens são os protagonistas do movimento "Not my president" ("Não meu presidente"), um lema que nasceu como hashtag no Twitter desde que foi confirmado o surpreendente resultado eleitoral na madrugada de quarta-feira.

Através de sua página no Facebook, o movimento convocou um grande protesto em frente ao Capitólio no dia da posse de Donald Trump, no próximo dia 20 de janeiro.

"Junte-se a nós no dia da posse para fazer ouvir nossa voz. Nós nos negamos a reconhecer Donald Trump como presidente dos Estados Unidos e nos negamos a aceitar ordens de um governo que põe intolerantes no poder", destaca a convocação.

O "Not my president" se fez ouvir em pelo menos 25 cidades, mas especialmente nas grandes cidades e redutos progressistas de Nova York, Los Angeles, Oakland, Chicago, Filadélfia, Portland, Atlanta, Boston, Seattle, San Francisco e Washington DC.

Na tarde e noite de quarta-feira se registraram as maiores concentrações, que em geral tiveram um tom pacífico, exceto por alguns incidentes e várias dezenas de detenções.

A maior tensão se viveu em Oakland (Califórnia), onde alguns dos cerca de 7.000 manifestantes lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia em uma noite que se saldou com três agentes feridos e 30 detenções.

Em Nova York, onde hoje continuam os protestos, 65 pessoas foram detidas nas manifestações de quarta-feira, que partiram de lugares como a praça Union Square e Columbus Circle até os arredores do edifício Trump Tower.

O fato de o magnata imobiliário possuir edifícios com seu nome em várias cidades do país deu aos manifestantes lugares claros e simbólicos de protesto.

O último a abrir foi o hotel de Trump na Avenida Pensilvânia de Washington DC, a dez minutos caminhando e na mesma avenida daquela será sua nova residência a partir de janeiro: a Casa Branca.

Desde a campanha este hotel, situado no edifício do histórico Escritório Postal da cidade, se transformou em local dos protestos contra o magnata, em manifestações que se estendem desde a quarta-feira no lado norte da Casa Branca.

Dezenas de pessoas marcharam e protestaram hoje em frente à mansão presidencial na parte da manhã, quando começou a primeira visita de Trump ao presidente Barack Obama e a sua futura cidade após sua vitória.

No trecho da Avenida Pensilvânia do lado norte da Casa Branca, epicentro das manifestações públicas em Washington, se reuniram hoje críticos de Trump, alguns poucos apoiadores, além de turistas e curiosos.

"Não me representa. Encorajou a violência contra mim. Está vindo para cá um sujeito que me quer fora do país. Este país é a única casa que conheço", declarou Mobashra Tazamal, que emigrou do Paquistão aos Estados Unidos aos cinco anos.

"Sou muçulmana, mulher, imigrante. Donald Trump atacou todas minhas identidades", acrescentou a jovem ativista de 27 anos.

Ali também se manifestava Olivia Emerald, de 24 anos, que viajou 15 horas de ônibus do Maine, no extremo nordeste do país, para protestar na primeira visita do presidente eleito à Casa Branca.

Perto dela se acalorava uma discussão entre um idoso branco e jovens afro-americanas: ele lhes dizia para que aceitassem Trump como seu presidente como ele fez com Obama.

No entanto, as milhares de pessoas que saem às ruas desde quarta-feira para gritar "Não meu presidente", como Deborah Klaus, não parecem dispostas a aceitar: "Só por cima do meu cadáver. Nunca será meu presidente"

A expectativa é que as manifestações contra Trump sigam durante os próximos dias para expressar a rejeição ao "racismo, intolerância, islamofobia, xenofobia e homofobia" que este movimento considera estarem presentes na figura do presidente eleito.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos