ONU quer esquecer críticas feitas por Trump e focar na relação futura

Nações Unidas, 10 nov (EFE).- A ONU quer virar a página das críticas contra a organização feitas por Donald Trump durante a campanha eleitoral e concentrar-se no que ele dirá após as eleições, segundo afirmou nesta quinta-feira um porta-voz.

"As eleições passaram, a retórica eleitoral passou. Vamos nos centrar no que será dito após as eleições", disse Stéphane Dujarric, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Dujarric respondeu assim a perguntas sobre as críticas que Trump fez contra as Nações Unidas no passado e a suas mensagens a favor de diminuir os fundos que os Estados Unidos fornecem à organização.

"Onde se vê as Nações Unidas? Alguma vez consertaram algo? É só como um jogo político", disparou Trump em um comício no último mês de abril.

Antes, em março, o agora presidente eleito dos EUA também havia criticado à ONU em um ato de um grupo de lobby que procura impulsionar políticas a favor de Israel, um país que nos últimos anos manteve uma tensa relação com a organização internacional.

"A ONU não é amiga da democracia. Não é amiga da liberdade. Nem sequer é amiga dos Estados Unidos", disse então Trump.

Em sua primeira reação oficial ao resultado eleitoral, Ban afirmou confiar que a nova administração trabalhará a favor da cooperação internacional e colaborará em áreas como mudança climática, defesa dos direitos humanos e políticas de desenvolvimento.

Seu porta-voz assegurou hoje que, por enquanto, estão analisando com normalidade as consequências que pode ter a mudança de governo.

"Cada vez que há uma mudança de administração em qualquer país, e especialmente em um que é o maior doador da ONU, isso abre caminho para uma reflexão sobre qual será o impacto", ponderou.

Dujarric destacou que a organização está também à espera de saber quem se ocupará dos assuntos exteriores na equipe de Trump e de quem serão, portanto, seus interlocutores.

Por enquanto, afirmou, não há planos para uma reunião entre o presidente eleito e Ban Ki-moon.

No último mês de outubro, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, advertiu que a eleição de Trump seria perigosa "do ponto de vista internacional".

"Se Donald Trump for eleito, em função do que disse até agora e, a menos que isto mude, acredito sem dúvida nenhuma que seria perigoso de um ponto de vista internacional", opinou então.

"Comentários sobre o uso da tortura, que está proibida pelo direito internacional, ou sobre comunidades vulneráveis de uma maneira que indicaria que podem ser privados de seus direitos... e os comentários de Trump vão nessa direção, são profundamente inquietantes e alarmantes", reconheceu o diplomata jordaniano.

Perguntado pelo possível impacto desses comentários na relação entre as duas partes, Dujarric defendeu que o alto comissário falou dentro de seu mandato e da mesma forma que fez em muitas outras situações ao redor do mundo.

"Não vou especular. As eleições terminaram, agora há uma transição, temos um presidente eleito. E confiamos que poderemos contar com a continuidade da profunda cooperação e da liderança dos Estados Unidos dentro do sistema das Nações Unidas", concluiu.

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