Dezenas de jihadistas do EI entraram na Europa com fluxo de imigrantes

Paris, 12 nov (EFE).- Dezenas de jihadistas do Estado Islâmico (EI), entre eles mais de dez dos que cometeram os atentados de Paris e Bruxelas, entraram na Europa aproveitando o fluxo de imigrantes e refugiados que meses antes chegava no Velho Continente pela Grécia e pela rota dos Bálcãs.

A informação, com base em um estudo do Centro de Análise do Terrorismo (CAT), foi publicada neste sábado pelo jornal "Le Monde" por ocasião do primeiro aniversário dos atentados de Paris, detalhando os movimentos dos principais envolvidos, que utilizaram a Hungria como plataforma para seus deslocamentos.

O primeiro dos autores dos atentados da capital francesa, nos quais foram assassinadas 130 pessoas e várias centenas ficaram feridas, foi o belga-marroquino Abdelhamid Abaaoud, considerado o coordenador no terreno.

Abaaoud entrou no espaço Schengen em 1º de agosto de 2015, quando foi localizado na Hungria e estava acompanhado de Ayoub el Khazzani, cidadão marroquino e ex-residente na Espanha.

Khazzani tentou cometer em 21 de agosto de 2015 um massacre em um trem que circulava entre Amsterdã e Paris (no qual embarcou em Bruxelas), mas foi rendido por militares americanos que viajavam como passageiros.

Abaaoud, por sua vez, dirigiu as operações provavelmente da Bélgica, e concretamente de Bruxelas, onde nasceu, se criou e estabeleceu amizade com alguns dos terroristas que realizaram os ataques de Paris, e também com os que cometeram os atentados de Bruxelas, em 22 de março de 2016.

No entanto, de acordo com os serviços secretos húngaros e alemães, no início do verão de 2015, para testar a entrada na Europa pela rota dos imigrantes, o EI tinha enviado o argelino Bilal C., que entre junho e julho passou da Turquia à Grécia, e depois à Macedônia, Sérvia e Hungria.

Bilal C. foi detido na cidade húngara de Gyor no último dia 16 de julho pela polícia húngara à qual se apresentou com a falsa identidade de um sírio chamado Ikjrad Samas.

Liberado no dia 4 de agosto, tentou pedir asilo na Alemanha onde em julho de 2016 foi preso após ser acusado de terrorismo.

O belga Salah Abdeslam, único sobrevivente dos atentados de Paris e que foi detido em Bruxelas em março e atualmente está preso na França, se encarregou de buscar entre 30 de agosto e 2 de outubro de 2015 outros membros do comando que estava se constituindo.

Estes últimos também tinham entrado na Europa com falsos passaportes sírios, camuflados entre os imigrantes que cruzavam o Mediterrâneo para chegar à Grécia.

Abdeslam fez três viagens entre Bélgica e Hungria e outra ao sul da Alemanha para transferir a Bruxelas 11 dos jihadistas implicados nos atentados dessa cidade e de Paris.

Dos membros identificados até agora de toda a trama, 13 estão mortos e há quatros autores diretos dos atentados de Paris ou Bruxelas detidos, aos quais é preciso acrescentar 11 supostos componentes de células adormecidas e outras 19 pessoas acusadas na França e na Bélgica por cumplicidade em diferente grau.

Outros - segundo o "Le Monde" - se encontram em paradeiro desconhecido, na Europa ou na Síria.

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