Mais de 8.000 pessoas protestam contra Trump em Los Angeles

Los Angeles (EUA), 12 nov (EFE).- Mais de 8.000 pessoas tomaram as ruas de Los Angeles neste sábado em uma passeata organizada por organizações imigrantes locais para expressar sua rejeição à eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

"A Califórnia sempre foi terra de latinos e por isso era importante que nós fizéssemos o chamado. Precisamos sair como uma comunidade unida, migrante e diversa, que ninguém vai deter", disse à Agência Efe Ron Góchez, diretor da Union del Barrio, organização comunitária que convocou a manifestação.

O protesto, o quarta consecutivo que acontece nesta cidade, começou no Parque Mcarthur, palco de outras manifestações a favor dos imigrantes, e entre seus mais de 8.000 participantes, de acordo com dados da polícia local, havia pessoas de todas as raças e idades.

Durante a manifestação, na qual não se registraram incidentes, a bandeira dos Estados Unidos tremulou junto à do México e à de outros países da América Latina, e era possível ver cartazes com mensagens como "Não é meu presidente" e outras a favor da democracia.

"Desde que começaram os protestos, Trump disse que os manifestantes eram agitadores profissionais e não é assim. Por isso decidi unir-me e dizer que temos uma voz e que não estamos fazendo dano a ninguém expressando nosso sentimento", declarou José Cerna, de 22 anos e natural de Jalisco.

O mexicano, que é imigrante ilegal, foi à manifestação junto com sua esposa, Estefania Cerna, que nasceu nos Estados Unidos e tem raízes hispânicas. "Eu vim aqui para dizer que não vou permitir que deportem meu marido, nós somos gente boa e trabalhadora", afirmou a jovem.

Para María Guadalupe Martínez, de 56 anos e que fez o longo percurso até o centro da cidade vestida com um traje típico mexicano, saltos vermelhos brilhantes e carregando duas pesadas bandeiras dos EUA e do México, a passeata mostra como os anglo-saxões apoiam o sacrifício e a contribuição dos imigrantes à sociedade americana.

"Todos foram muito amáveis e me perguntavam se estava cansada, se queria água e queriam me ajudar a carregar minhas bandeiras, e isso me faz sentir muito sentimental e orgulhosa de ser migrante e de ter uma causa", comentou Martínez.

A manifestação terminou em frente ao Edifício Federal Wilshire, que aloja várias dependências federais, entre elas os escritórios de Imigração, e onde os ativistas pediram aos participantes para não baixar a guarda e preparar-se para continuar tomando as ruas no futuro.

"Somos uma organização muito pequena que trabalhou por muitos anos e, se nós pudemos movimentar tanta gente, o que vai acontecer quando todos verdadeiramente unamos nossas vozes? Muito em breve veremos a resposta", sentenciou Gochez.

As manifestações do movimento "Not my president" ("Não meu presidente"), um lema que nasceu como hashtag nas redes sociais quando se confirmou o surpreendente resultado eleitoral na madrugada de quarta-feira, continuaram hoje em várias cidades do país, como Los Angeles, Nova York, Chicago e Las Vegas (Nevada).

Em Nova York, de acordo com a emissora "NBCNews", pelo menos 11 pessoas foram detidas nesta manhã, enquanto milhares de pessoas se concentraram em frente ao edifício Trump Tower durante a tarde.

Por outro lado, um homem ficou ferido por um disparo de arma de fogo nesta madrugada em um tiroteio durante um protesto em Portland (Oregon), onde centenas de pessoas saíram às ruas novamente para mostrar sua rejeição a Trump.

Grande parte das manifestações ocorridas nos últimos dias nas grandes cidades do país aconteceram em redutos democratas nos quais a candidata presidencial desse partido, Hillary Clinton, venceu Trump com ampla vantagem nas eleições de terça-feira.

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