Medidas protecionistas anunciadas por Trump causam temor no Cone Sul

Montevidéu, 12 nov (EFE).- A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos gerou "incerteza" e "preocupação" no Cone Sul, onde teme-se que o republicano ponha em prática as medidas econômicas protecionistas e de política monetária que anunciou durante a campanha.

Na Argentina, o presidente do Instituto Argentino de Executivos de Finanças (IAEF), o economista Mario Lalla, ressaltou a preocupação perante a vitória de Trump ao considerar as eventuais ações protecionistas que "prejudicariam em grande medida" às relações entre Buenos Aires e Washington.

Nessa mesma linha se expressou o ministro da Economia uruguaio, Danilo Astori, que deixou clara à imprensa sua preocupação pela possibilidade que Trump ponha em prática medidas de caráter protecionista como as que anunciou em alguns de seus discursos de campanha.

No "curto prazo", o Uruguai deverá prestar atenção nas medidas tomadas pelo novo presidente americano em relação à política monetária, já que isto é o "principal aspecto" que poderia afetar o Uruguai, segundo Astori.

Por sua vez, tanto o Chile como o Paraguai optaram por pôr panos quentes na situação e pedir tranquilidade.

Parte da explicação para esta postura está no fato de que os Estados Unidos não representam nem para o Paraguai nem para o Chile seu principal mercado de exportação e, em ambos casos, a porcentagem de comercialização é baixa quando comparada com outros destinos exportadores.

O ministro da Fazenda chileno, Rodrigo Valdés, estimou que é prematuro antecipar neste momento o que vai acontecer.

"Uma coisa são as eleições, com uma retórica duríssima na qual fazem afirmações muito fortes, e outra coisa é governar, que requer maiorias para tomar decisões", advertiu Valdés.

No Paraguai, no entanto, se olha com atenção para as barreiras às importações que Trump poderia impor, já que afetariam às negociações que as autoridades vêm fazendo para introduzir a carne bovina nos Estados Unidos, explicou à Efe Fernando Messi, diretor do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep).

Consultado pela Efe sobre os possíveis efeitos da chegada de Trump ao poder no Uruguai, o economista Ignacio Munyo afirmou que em termos de política monetária é "enorme a incerteza que há", porque isso "afeta realmente" países como o seu.

"As mudanças bruscas do dólar que possam vir em dezembro ou que já se antecipem a partir agora, assim como um aumento da taxa de juros, vão gerar efeitos" na cotação da moeda americana, acrescentou.

Neste sentido, Munyo comentou que os "aumentos mais altos que os esperados" nas taxas de juros por parte do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) podem gerar uma "retração grande nos ingressos de capitais na região em geral e no Uruguai em particular".

"Isso é um impacto negativo, sem dúvidas", sentenciou o analista.

Já o diretor do Departamento de Negócios Internacionais e Integração da Universidad Católica do Uruguai, Ignacio Bartesaghi, expressou à Efe que as medidas protecionistas que Trump pode impulsionar "não vão ser aplicadas à América Latina, mas fundamentalmente, na China".

Para a região latino-americana será mais relevante acompanhar a evolução do dólar e as variações das taxas de juros, segundo o especialista.

No entanto, Bartesaghi assegurou que o governo de Trump "não será tão dramático".

"O que é preciso esperar é que neste período ele suavize seu discurso de campanha", concluiu.

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