Otan diz aos EUA que "agir separadamente não é uma opção"

Em Londres

  • Eduardo Munoz/REUTERS

    Após vitória de Trump, Jens Stoltenberg adverte Estados Unidos

    Após vitória de Trump, Jens Stoltenberg adverte Estados Unidos

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, advertiu neste domingo (13) os Estados Unidos, dizendo que "agir separadamente não é uma opção", após a vitória eleitoral do republicano Donald Trump, que durante a campanha criticou a Aliança Atlântica.

"Este não é o momento para que os Estados Unidos deixem a Otan", escreveu o líder no jornal britânico "The Observer", para quem a Europa deve além disso "assumir sua parte da carga".

A Otan "permitiu a integração da Europa e sentou as bases para a paz e a prosperidade sem precedentes que desfrutamos hoje. Os líderes europeus sempre entenderam que quando se trata da segurança, agir separadamente não é uma opção", afirmou Stoltenberg.

Durante a campanha eleitoral nos EUA, o presidente eleito descreveu a Otan como um organização "obsoleta" e pediu aos países-membros que "paguem sua parte" se não quiserem se defender sozinhos.

Stoltenberg, que felicitou Trump horas após a divulgação do resultado eleitoral, lembrou hoje que a única ocasião na qual a Aliança ativou sua cláusula de defesa mútua foi após os ataques terroristas em Nova York de 11 de setembro de 2001.

O secretário-geral ressaltou, além disso, que a Otan guiou a missão militar no Afeganistão e que mais de mil soldados europeus "pagaram um maior preço em uma operação iniciada como resposta direta a um ataque contra os Estados Unidos".

"Nos últimos anos vimos uma deterioração dramática de nossa segurança, com uma Rússia mais imperativa e desordens no norte da África e no Oriente Médio. Os aliados da Otan devem responder juntos", afirmou o ex-primeiro-ministro da Noruega.

Stoltenberg destacou, no entanto, que Washington é responsável por cerca de 70% da despesa em defesa da organização e afirmou que os Estados Unidos "pediram, com razão, que a carga seja compartilhada de uma forma mais equitativa".

"A colaboração entre Europa e Estados Unidos está fundada em valores e interesses profundamente compartilhados. Ao mesmo tempo, uma parceria viável depende que todos contribuam de maneira justa", afirmou.

O secretário-geral lembrou que na cúpula realizada no País de Gales em 2014, os membros da Aliança se comprometeram a aumentar seu orçamento em defesa até 2% em uma década.

"Desde então, os aliados europeus cumpriram com sua palavra, com o Reino Unido mostrando uma sólida liderança", apontou.

"Neste ano, 22 aliados da Otan aumentarão sua despesa em defesa, o que representará um aumento de 3% em termos reais, e esperamos que que no próximo ano veremos como a despesa em defesa avançar pelo terceiro ano consecutivo na Europa", disse o norueguês.
 

O que é a Otan e o que ela faz?

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